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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Elementar, meu caro IBM Watson

WATSON, ao centro, circundado de dois campeões do Jeopardy! Ele parecia estar à vontade.
 
Uma das previsões de Kurzweil feita ainda na década de 80 era a de que um supercomputador venceria o campeão mundial de xadrez em 1998. A previsão foi ridicularizada (pelo próprio Gasparov, o campeão derrotado) pois, embora computadores sejam bons em cálculo, o xadrez envolvia muito mais do que contas envolvia estratégia, sagacidade, senso de oportunidade, sendo considerado o mais intelectual dos jogos. Pois bem, Kurzweil errou por pouco: a vitória do DeepBlue ocorreu em 1997, um antes!

A notícia correu o mundo. Mas logo se ouviu a voz dos críticos: xadrez é fácil, porque é algo, assim como a música e a matemática, muito exato e envolve cálculos de modo que a força bruta dos computadores leva vantagem. 

Ok, o argumento é bom. Mas o que dizer de um jogo que envolve charadas, informações ambíguas e incompletas e pegadinhas abrangendo todo o conhecimento humano (as curiosidades)? Ou seja, algo quase oposto ao jogo de xadrez? 

Pois bem, por incrível que pareça, um novo projeto da IBM pode garantir o título de vencedor mundial do Jeopardy! (o "Show do Milhão" dos EUA) a um computador. 

E o que você e eu temos a ver com isso? (além de ter uma oportunidade a menos de ganhar um milhão) O seguinte: se um computador consegue vencer humanos no Jeopardy!, por que não conseguiria fazê-lo no diagnóstico médico, por exemplo? Uma forma de garantir diagnóstico a custo baixo para bilhões de pessoas. Os médicos teriam seu futuro ameaçado com isso? Acredito que não (pelo menos os cirurgiões). Por razões políticas, por muito tempo ainda se exigirá que um humano confirme o diagnóstico.

Para os cientistas da computação, esse feito representa algo mais: novo alento para a tese da IA Forte e de que a IA continua avançando.
Leia a notícia sobre o WATSON, que traduzi livremente do site SingularityHub:

"Em uma prévia em Nova York, o computador IBM de processamento de linguagem pura, WATSON, enfrentou os titãs do Jeopardy: Ken Jennings e Brad Rutter. WATSON venceu. Claro, era uma rápida sessão de disputa, e as partidas reais não irão ao ar até fevereiro, mas parece que WATSON tem uma boa chance de se tornar campeão do mundo no torneio de curiosidades. Alex Trebek não presidiu esta partida preliminar, mas ele estava de prontidão para assistir WATSON fazer de igual para igual com alguns dos principais concorrentes humanos da história do Jeopardy. Ele brincou dizendo que o computador estaria em breve à venda no MercadoLivre. Não é bem assim, Trebek, mas os engenheiros da IBM acreditam que a lei de Moore vai permitir que todos tenham seus próprios Watsons a partir de agora. Considerando o quão bem o computador joga contra Jennings e Rutter, eu tenho certeza que os dois estarão entre os primeiros da fila. Desempenho brilhante Watson no vídeo abaixo."


2 comentários:

  1. A integração entre reconhecimento de linguagem, interpretação semântica e acesso a banco de dados é visível no WATSON. Contudo, o programa da IA Forte enfrenta um problema que o Yudkowsky sempre levanta: os tipos de mentes em que uma IA pode surgir é vasto. Existem IA que são benévolas e outra que nem tanto, pois os valores que irão cultivar são diferentes.
    No caso específico do WATSON, como não sei muito sobre o projeto, penso que sua autonomia é limitada, irá claro ajudar como fonte de informação, caso cada pessoa possuam uma unidade dessa, todavia a capacidade de aprender com casos anteriores, i. e., indução, me parece ainda não comparável à humana.

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  2. É, Bruno, o Watson é "narrow AI". Mas, na minha opinião, o projeto levanta bastante o moral da tese da IA Forte, na medida em que, agora, um computador se sai muito bem em um jogo que envolve muito a linguagem, um jogo muito humano. De certa forma, esse jogo (embora mais restrito), lembra bastante a proposta do Teste de Turing. Se houver algum interesse, agora me parece que um computador pode passar pelo teste provavelmente muito antes do que Kurzweil previu (o que, de certa forma enfraquece a crítica de que ele é um ultra otimista irrealista).
    Eu mesmo, se perguntado há um ano atrás, diria que esta tecnologia do Watson parecia estar ainda vários anos à nossa frente.
    Mas, obviamente, Watson ainda não "entende" as coisas, não é uma mente.

    As discussões do SIAI são interessantes (e, talvez, um pouco assustadoras). São pessoas intelientes preocupadas com grandes problemas.

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