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sábado, 16 de abril de 2011

Marvin Minsky: somos bem inteligentes... comparados com chimpanzés




Abaixo, trechos da palestra do legendário pesquisador em Inteligência Artificial no MIT e transhumanista Marvin Minsky, citado por Arthur C. Clarke em seu livro e Stanley Kubrick no filme "2001: uma odisseia no espaço":

"In the 1980s, Minsky and Good had shown how neural networks could be generated automatically — self replicated — in accordance with any arbitrary learning program. Artificial brains could be grown by a process strikingly analogous to the development of a human brain. In any given case, the precise details would never be known, and even if they were, they would be millions of times too complex for human understanding." ("2001: A Space Odissey, p. 92)

* * *

Acho que o grande problema é que não somos inteligentes o suficiente para entender quais dos problemas que temos são bons o suficiente. Portanto, temos de construir máquinas superinteligentes como o HAL. Vocês devem lembrar, a certa altura do livro 2001, HAL percebe que o universo é muito grande e profundo para esses astronautas tão estúpidos. Se você contrastar o comportamento de HAL com a trivialidade das pessoas na espaçonave, você pode ver o que está escrito nas entrelinhas. Bem, o que vamos fazer sobre isso? Podemos ficar mais inteligentes. Acho que já somos bem inteligentes, comparados com chimpanzés, mas não somos inteligentes o suficiente para lidar com os problemas colossais que enfrentamos, seja na matemática abstrata ou em entender economia ou manter o equilíbrio do mundo. 

Então uma coisa que podemos fazer é viver mais. E ninguém sabe quão difícil isso será, mas vamos provavelmente descobrir em poucos anos. Sabe, existem duas encruzilhadas na estrada. Sabemos que as pessoas vivem o dobro dos chimpanzés, quase, e ninguém vive mais de 120 anos, por razões ainda não bem compreendidas. Mas muitas pessoas vivem até 90 ou 100, exceto se apertarem muitas mãos ou algo assim. Então talvez se vivêssemos 200 anos, poderíamos acumular habilidade suficiente e conhecimento para resolver alguns problemas. Esta é uma das formas de analisar isto. Como eu disse, não sabemos quão difícil é. Pode ser -- afinal, a maioria dos outros mamíferos vivem a metade dos chimpanzés, então estamos três e meia ou quatro vezes -- quatro vezes a longevidade da maioria dos animais. E no caso dos primatas, temos praticamente os mesmos genes. Nossa diferença para chimpanzés no estado atual da ciência -- que é lixo absoluto -- talvez algumas centenas de genes.

Eu acho realmente que os contadores de genes não sabem o que estão fazendo ainda. E o que quer que você faça, não leia nada sobre genética que for publicado enquanto você viver, ou quase isso. (Risos) Essas coisas têm vida muito curta, assim como ciência cerebral. Então pode ser que se nós só consertarmos quatro ou cinco genes, podemos viver 200 anos. Ou pode ser que sejam só 30 ou 40, e duvido que sejam várias centenas. Portanto isto é algo que as pessoas vão discutir e muitos eticistas -- sabem, um eticista é alguém que vê algo errado com o que quer que você tenha em mente. (Risos) E é muito difícil de encontrar um eticista que considere qualquer mudança válida de fazer, porque ele diz, e quanto às consequências? E é claro, não somos responsáveis pelas consequências do que estamos fazendo agora, somos? Como todo este barulho sobre clones. Ainda assim duas pessoas aleatórias que têm um filho, e ambas têm alguns genes bem estragados, e o filho é provável que seja mediano. O que para os padrões de um chimpanzé é muito bom.

Se tivermos longevidade, então teremos de encarar o crescimento populacional de qualquer modo. Porque se as pessoas viverem 200 ou 1000 anos, então não podemos deixar que tenham um filho mais que uma vez a cada 200 ou 1000 anos. Então não haverá mais trabalhadores. E uma das coisas que Laurie Garrett mencionou, e outros, é que uma sociedade que não tem pessoas em idade de trabalhar tem um sério problema. E as coisas vão piorar, porque não existirá ninguém para educar as crianças ou alimentar os idosos. E quando falo sobre uma vida longa, é claro, não quero que alguém com 200 anos seja como nossa imagem do que é alguém assim velho agora -- morto, na verdade.

Sabem, existem quase 400 diferentes partes do cérebro que parecem ter diferentes funções. Ninguém sabe como a maioria delas trabalha em detalhes, mas sabemos que existem muitas coisas diferentes lá. E elas nem sempre trabalham juntas. Gosto da teoria de Freud de que a maioria delas estão se cancelando mutuamente. Então se você pensar em si como uma cidade com cem recursos, então, quando está preocupado, por exemplo, pode descartar suas metas de longo prazo, mas pode pensar profundamente e focar em exatamente como atingir uma meta particular. Você joga todo o resto fora. Você se torna monomaníaco -- tudo com que se preocupa é não pular fora da plataforma. E quando você está com fome, a comida fica mais atraente, e etc. Portanto vejo emoções como altamente evoluídos subconjuntos de sua capacidade. Emoção não é algo acrescentado ao pensamento. Um estado emocional é o que você obtém quando remove 100 ou 200 dos seus recursos normalmente disponíveis.

Então pensar sobre emoções como o oposto de algo menos que pensar é imensamente produtivo. E espero, nos próximos anos, mostrar que isto vai levar a máquinas inteligentes. E acho que é melhor pular o resto disso, que são alguns detalhes sobre como podemos fazer estas máquinas inteligentes e -- (Risos) -- e a principal idéia é na verdade que o centro de uma máquina realmente inteligente é uma que reconhece que você está encarando certo tipo de problema. que é um problema de tal-e-tal tipo, e portanto existe um certo modo ou modos de pensar que são bons para esse problema. 

Portanto acho que no futuro o maior problema da psicologia será classificar tipos de prognósticos, tipos de situações, tipos de obstáculos e também classificar os modos de pensar disponíveis e possíveis e combiná-los. Podemos ver que é quase como um Pavloviano -- perdemos os primeiros cem anos de psicologia com teorias realmente triviais onde se diz, como as pessoas aprendem a reagir a uma situação? O que quero dizer é, depois de passar por muitos níveis, incluindo desenhar um enorme e caótico sistema com milhares de partes, vamos terminar novamente com o problema central da psicologia. Dizendo, não quais são as situações, mas quais são os tipos de problemas e quais são os tipos de estratégias, como as aprendemos, como as conectamos, como uma pessoa realmente criativa inventa um novo modo de pensar sobre os recursos disponíveis e etc.

Portanto penso que nos próximos 20 anos, Se pudermos nos livrar de todas as abordagens tradicionais à inteligência artificial, como redes neurais e algoritmos genéticos e sistemas especialistas, e apenas elevar a perspectiva um pouco para dizer, podemos fazer um sistema que possa usar todas estas coisas para o tipo certo de problema? Alguns problemas são bons para redes neurais, sabemos que para outros, redes neurais são inúteis. Algoritmos genéticos são ótimos para certas coisas; Suspeito que sei para que eles são ruins e não vou lhes dizer. (Risos)

Obrigado. (Aplausos)

Um comentário:

  1. Isaac Asimov described Carl Sagan as one of only two people he ever met whose intellect surpassed his own. The other, he claimed, was the computer scientist and artificial intelligence expert Marvin Minsky.

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