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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

No futuro haverá um novo tipo de religião baseada na engenharia?

Haverá no futuro um novo tipo de religião, baseada na  ciência e na engenharia? O que seria isso? (que, aliás, será o tema desse blog)


Marcelo Gleiser escreveu na Folha de S. Paulo: "Está na hora de irmos em frente e deixar para trás o desgastado embate entre a ciência e a religião, que já não rende nada. É preciso encontrarmos um novo rumo, ir além da polarização linear que vem caracterizando as discussões do papel da fé e da razão na vida das pessoas por mais de cem anos."

Gleiser propõe como saída a busca de valores universais, como a defesa da vida, mas o próprio cientista levanta o forte contra-argumento do relativismo cultural (para o fundamentalismo religioso, a vida pode não ter qualquer importância comparada ao além-vida). Alternativamente, há quem defenda algo bem mais radical ou inovador e que se aproxima, digamos, de um "tertium genus" entre religião e ciência.


EMBATE
O embate entre ciência e religião foi um corolário do Iluminismo (embora, como se sabe, os filósofos iluministas geralmente não tinham se dado conta disso e supunham com tranquilidade a existência de um Deus; o cisma, em um primeiro momento, era com  os abusos e safadezas da Igreja, não com Deus em si). Já no século XIX, o cenário do conflito Fé X Ciência parecia montado (destaque para Darwin) e, no decorrer no século XX, totalmente insuperável, com a ciência (talvez, principalmente, a biologia e a cosmologia) avançando e destronando a fé, que foi recuando, humilhada e  perigosamente ressentida.


Existiram, durante o século XX, alguns movimentos que tentaram reconciliar o aparentemente irreconciliável. Se para Freud a religião era algo pateticamente infantil, Jung tentou resgatar o status da fé e das manifestações místicas, capitalizando, para isso, seu grande prestígio intelectual. Mas não chegou a fazer um movimento.


Rhine tentou estudar, assegurando-se das garantias do rigor acadêmico, os fenômenos parapsicológicos e Stanislav Grof, os estados alterados da consciência (embora Grof tivesse ficado cada vez menos rigoroso, aparentemente perdendo sua credibilidade no meio científico). Em ambos os casos (bem como vários outros), tais pesquisas geraram expectativas, entusiasmos, mas os resultados foram dúbios ou irrelevantes. Nada que garantisse a certeza tranquilizadora, que tantos anseiam, da existência de espíritos e planos espirituais e -- claro, isso é o que importa -- o sossego  existencial diante da morte.


Houve ainda uma tentativa de se aproximar a ciência das ricas visões de mundo orientais. Foi o que Fritjof Capra (autor do famoso "O Tao da física") tentou empreender. Mas, para os mais exigentes, embora fosse um trabalho bonito, não era convincente o bastante e também não chegou a fazer um movimento ou alterar um paradigma.


Nesta primeira década do século XXI o desconforto da discórdia entre ciência e religião parece ter aumentado de intensidade -- talvez até porque o novo século foi marcado por um incidente (o 11 de setembro) que, de certa forma, parecia ter lançado um mundo de progresso tecnológico crescente em meio a uma cruzada na Idade Média, com mouros e cristãos se enfrentando por petróleo, fé e complexo de inferioridade. Radicais religiosos governam boa parte do mundo (e não só no mundo islâmico, nos EUA os presidentes frequentemente invocam Deus em seus argumentos). 

Para não assistirem passivamente o que consideram o risco do naufrágio da razão, ativistas ateus, tais como grande e influente biólogo Richard Dawkins e o jornalista Christopher Hitchens jogam lenha na fogueira da discórdia, disparando artilharia pesada sobre o que consideram ser a principal raiz dos males da sociedade: a religião (para moderar este ímpeto ateu, talvez seja prudente relembrar que a religião, o "ópio do povo", foi suprimida da URSS e outros países comunistas sem que, em virtude disso, tenha emergido ali um novo iluminiso ou luzes de qualquer natureza). Gosto muito de Dawkins, para mim uma espécie de Faraday ou Lavoisier vivo, mas a estratégia de tirar a religião e Deus das pessoas sem colocar nada no lugar me parece que jamais vai dar muito resultado.


CONCILIAÇÃO NO XXI
No meio desse fogo cruzado, não faltam os bem intencionados que tentam conciliar, de uma maneira meio barata (destinada ao consumo e conforto das massas), ciência e fé. É o caso Dan Brown e seus "Anjos e Demônios". Ou, ainda, do documentário "Quem somos nós?". Sobre este último, gostaria de dizer uma ou duas palavras.
Filmes como "Quem somos nós?" revelam um aspecto interessante sobre o nosso tempo: a credibilidade do saber científico de um lado e o vazio existencial e espiritual da ciência, de outro. O filme é montado de forma a reunir relatos e opiniões  (algumas, apenas) até respeitáveis de um ou outro cientista razoável (ao que me lembro) com outras (a maioria) ideias completamente esdrúxulas e pseudocientíficas que, é fácil perceber, usam e abusam do linguajar científico. O filme também apresenta uma postura muito mais confirmatória do que investigativa.
 
Essas pessoas, pois, se utilizam das fortes credenciais da ciência (a menção a universidades às vezes famosas, títulos acadêmicos,  o  linguajar acadêmico meio chato e recheado de palavras técnicas etc.) para tentar emprestar, por extensão, credibilidade a ideias sem qualquer comprovação científica (como a risível ideia de que o cristal de gelo formado em uma garrafa de água com o rótulo "Hitler" seria um cristal feio e sujo).

Tais explicações podem ser satisfatórias para leigos completos, mas, para aqueles que empregarem um mínimo trabalho de pesquisa, são insustentáveis. E o saldo disso é que tais tentativas de ligar ciência e religião não só não superam o fosso entre as duas como talvez o aprofundem em razão do sentimento de decepção que surge quando se toma consciência do embuste. (para quem quiser aprofundar os argumentos contra "Quem somos nós?" e "O Segredo", recomendo os textos: "A difícil condição humana - Por que o esoterismo pesudocientífico faz tanto sucesso?" e "Esoterismo Quântico", ambos de Gleiser)

UM NOVO TIPO DE RELIGIÃO

Pois bem. Existe alguma outra alternativa de conciliação entre ciência e religião? Por que, afinal de contas, tentar conciliar as duas coisas? Ao invés de desenganá-los, não seria melhor deixar os crentes viverem felizes com suas crenças (mas sem bombas)? Ou, do ponto de vista do crente: deixar esses cientistas malucos queimarem no fogo do inferno? (ok, o assunto é meio sério, mas me lembrei de um trecho deste videoclip)

Do ponto de vista científico, a religião não seria apenas um um corpo de mentiras fossilizadas habilmente utilizadas para explorar as pessoas? E, para os religiosos, a ciência não seria um índice da arrogância do homem, que quer brincar de deus?

Minha opinião é a de que, embora seja o melhor do que dispomos, a ciência é insuficiente para preencher o vazio e justificar a dor experimentada pela maioria das pessoas. A ciência, pelo menos entre as pessoas mais instruídas (Freud observou há mais de um século "...as camadas superiores da sociedade 'não mais acreditam em Deus'"), metodicamente erodiu os mitos e as crenças e, com isso, uma série de fundamentos que explicavam e justificavam a existência humana desde tempos primordiais, confortando e transmitindo segurança. 

Embora seja responsável por este vazio, a ciência não o preencheu com nada. Nem é sua finalidade fazê-lo (mas, se essa finalidade for da filosofia, ela também não fez um bom trabalho, a não ser para os filósofos acadêmicos). Mas e a arte, o sexo e o vício? 


Vivemos um momento histórico em que se proclamou o "fim da arte e da estética", declaração no mínimo controversa. Mas muito menos controversa é a percepção de que temos os sentidos embotados pela grande profusão de tendências e correntes artísticas, uma sucedendo a outra, cada uma trazendo já morta a promessa de redenção. Seguindo o caminho da especialização, a literatura, a música, a pintura, parece que tudo meio reduzido a guetos ou fã clubes, sem aquele apelo incontestável às multidões que uma obra de arte fazia no passado. Hoje, por mais desesperadamente experimental que uma tendência se mostre, ela é blasé. 
 
Já o vício e o sexo são poderosos instrumentos de atuação  direta no eixo dor-prazer. No entanto, seguir o caminho do vício é queimar a vela dos dois lados -- e ter que pagar uma conta alta no final. O sexo, a grande pilastra de nossas existências, poderia resolver nossos problemas se fôssemos ou nos tornássemos obongos. Acho que a vanguarda cultural na década de 1960 esperaria mais da moral e dos costumes em 2010. De qualquer forma, por mais forte que seja o instinto, o córtex humano talvez seja grande demais para se satisfazer apenas com ele.
Na falta de candidato melhor, é a crença no sobrenatural que se oferece a preencher esse vasto campo humano de expectativas, anseios, medos e necessidade de conforto: desde o fundamentalismo religioso para os fanáticos, passando pelo esoterismo tipo autoajuda de livraria de Shopping para a classe-média consumista até a atmosfera elegante, psicologicamente confortável e socialmente prestigiada de alguns seguimentos das religiões tradicionais (a imagem que me vem à mente é a do apresentador da BBC Robert Winston em uma sinagoga). 

Claro que, para quem tem estômago forete e não topa nenhuma das alternativas acima, o ateísmo oferece uma alternativa sóbria e racional:


"Nós [ateus] não nos baseamos unicamente na ciência e na razão, porque esses são fatores mais necessários que suficientes, mas desconfiamos de tudo o que contradiga a ciência ou afronte a razão. Podemos diferir em muitas coisas, mas respeitamos a livre investigação, a mente aberta e a busca do valor das idéias. Não sustentamos nossas convicções de forma dogmática: a divergência entre o professor Stephen Jay Gould e o professor Richard Dawkins acerca da "evolução pontual" e das lacunas na teoria pós-darwinista é bastante grande e igualmente profunda, mas iremos solucioná-la com base nas provas e no raciocínio, não por excomunhão mútua. (...) Não somos imunes à sedução do encanto, do mistério e do assombro: temos a música, a arte e a literatura, e achamos que os sérios dilemas éticos são mais bem abordados por Shakespeare, Tolstoi, Schiller, Dostoievski e George Eliot do que pelas histórias morais míticas dos livros sagrados. (...) Estamos resignados a viver apenas uma vez, a não ser por intermédio de nossos filhos, para os quais estamos muito felizes de perceber que devemos abrir caminho e ceder lugar. Nós especulamos que seria pelo menos possível que, assim que as pessoas aceitassem o fato de que suas vidas são curtas e duras, se comportassem melhor com os outros, e não pior. Acreditamos com grande dose de certeza que é possível levar uma vida ética sem religião." (Christopher Hitchens no livro "Deus não é grande").


O que parece difícil, no entanto, é estender a resignação de "viver apenas uma vez" e a crença de que é possível (para os não biólogos) acreditar que se atinge uma meia imortalidade "por intermédio de nossos filhos, para os quais estamos muito felizes de perceber que devemos abrir caminho e ceder lugar" (afinal, nossa individualidade não se confunde com nossos genes e se nem gêmeos idênticos são, evidentemente, a mesma pessoa, quanto menos nossos filhos, que tem 50% a menos de identidade genética e surgem em outra época).


E, aqui, finalmente chegamos ao assunto deste post inicial: existe alternativa para quem não quer seguir nenhum dos caminhos anteriores? É possível, conciliar, de um lado, a ciência como recurso de conhecimento e alteração do mundo, e, de outro, cultivar elementos positivos da religião, tais como a transcendência das limitações de um corpo biológico, a persistência de nossa consciência e identidade, a ideia de aprimoramento e evolução interior, a existência (ainda que futura) de planos ou seres de inteligência superiores à nossa?


E, a resposta, surpreendentemente parece ser positiva. De fato, um movimento recente, porém crescente e que começa a chamar a atenção da mídia internacional procura alcançar exatamente esses objetivos. De certa forma, é como se, para estas pessoas, as ideias religiosas e mágicas de todos os tempos, que refletem as mais profundas aspirações e desconfortos da "difícil condição humana" (principalmente a morte e a ideia de limitação, o hiato entre nossos sonhos e nossos condicionantes) são tão boas que merecem ser perseguidas e criadas pelo homem. 

É um movimento de pessoas que se recusam a endossar o sedativo que são as crenças religiosas. Mas, também, rejeitam a resignarem-se diante da dureza da condição humana (como pregam os ateus "estoicos" – “estoicos” para diferenciar, já que muitos deste movimento também são ateus ou agnósticos). Procuram, ao contrário, adaptar a dureza do mundo aos sonhos do homem e não os sonhos do homem à dureza do mundo. Aplicam-se a estas pessoas a definição de Jorge Luis Borges sobre a ficção científica de H. G. Wells: é a imaginação que aceita “o prodigioso, sempre que sua raiz fosse científica, não sobrenatural”.  


Cada tipo de personalidade pode se enquadrar melhor em um dos recursos existenciais acima esboçados. Alguém pode transacionar com sua própria consciência, aceitando os dogmas de uma religião tradicional para evitar o desconforto psicológico de ter que passar a limpo as grandes questões da existência (e, é claro, que um bom número nem chegará ao ponto da dúvida ou nem terá consciência desta transação). Outros, talvez mais abertos e sinceros, podem simplesmente viver a vida perfeitamente bem e tranquilos com a ideia de finitude e morte, racionalizando que o melhor caminho é a resignação. E outros, finalmente, podem considerar a solução dos ateus meio chata, pois, já que não há nada a perder, talvez fosse melhor (mais emocionante e criativo) fazer uma aventura para tentar transcender a própria condição humana e atingir um estado em que a morte pudesse ser efetivamente uma escolha e não uma fatalidade sobre a qual cabe ao homem resignar-se ou mentir a si próprio.


O movimento em questão é chamado transhumanismo ou singularitarianismo (as expressões não são exatamente sinônimas, mas são bem próximas e ligadas, a distinção fica para outro post). Para quem quiser inteirar-se das principais ideias e pontos de vista favoráveis ao movimento, recomendo as entrevistas abaixo de Raymond Kurzweil, o grande porta-voz do movimento (basta clicar para assistir):

Raymond Kurzweil faz uma análise sobre o futuro da humanidade

No futuro de homem Raymond Kurzweil e máquina serão um só


Termino, por fim, com um trecho de um artigo (intitulado "The First Church of Robotics" e é crítico, aliás) sobre o assunto, publicado no New York Times:


"cientistas da computação [...] são humanos, e são tão apavorados com a condição humana como qualquer um. Nós, a elite técnica, procuramos alguma maneira de pensar que nos dá uma resposta à morte, por exemplo. Isso ajuda a explicar o fascínio de um lugar como a Singularity University. [...]
Todos esses pensamentos sobre consciência e almas estão ligados igualmente à fé, o que sugere algo notável: o que estamos vendo é uma nova religião, expressa através de uma cultura de engenharia."


Com a ressalva de que, a meu ver, não se trata de uma nova religião, mas de um novo tipo de coisa que surge da mistura de religião nos fins e ciência/engenharia nos meios, é este o tema e o ponto de vista que este blog explorará. E o nome Fabuloso Futuro justifica-se, pois, por todas as acepções que o dicionário Houaiss traz do adjetivo fabuloso:


"adj. (1532) 1 que concerne ao legendário, às narrativas criadas pela imaginação <os personagens f. dos irmãos Grimm> 2 que tem características de fábula <os contos algo f. de Murilo Rubião> 3 que se reporta à mitologia <mitos e heróis f.> 4 que se refere a tempos recuados em que história e lenda se confundem <o mundo f. do classicismo greco-romano> 5 que (por suas dimensões) ultrapassa a imaginação <as f. distâncias interestelares> 6 p.metf. que, sendo real, parece imaginário <palácio de suntuosidade f.> 7 p.ext. que tem caráter admirável; incrível <acontecimentos f.> 8 que não é bem conhecido; indistinto, obscuro <dizem que por lá vive um homem com poderes f.> 9 B que é tido como ótimo; excelente, fantástico <comprou um carro f.> "


Como é próprio dos blogs, mais do que primar por um objetivismo jornalístico ou acadêmico, os posts aqui estarão encharcados de opiniões pessoais, como se fossem relatos de uma viagem pessoal, durante a qual, espera-se, encontrar companhia.
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7 comentários:

  1. Excelente texto, Cassini, muito interessante mesmo. Ainda a respeito do assunto, recomendo muito o "You are not a Gadget", do Jaron Lanier (acabou de sair em português também).

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  2. Obrigado pelo elogio e a referência, Murilo, vou conferir!

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  3. Nossa!
    Primeiro antes dos elogios. Não sou ateu! Surpreendente. Mais, nunca nem fui pelo que me lembro. É que para mim ateísmo era não acreditar em deus (e o que representa) e só.

    Então, muito bom mesmo! Vou ler todos os posts e depois provavelmente você já estreie a lista de blogs do meu blog (em projeto ainda).

    Ah! Meu blog:
    http://comocurtirminhaeternidade.blogspot.com/

    Vai ser aberto a outros temas, porem acho que o transumanismo é a alma do blog. Estou a criar um post sobre criônica, o que me trouxe aqui, o texto esta ficando bom, mas vai demorar.
    seria possível um e-mail para contato?

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  4. Olá, Píi, só hoje vi este seu comentário (já havia lido outros, no entanto).
    Bom título o de seu blog, acho que esse é o espírito.
    E-mail para contato: fabulosofuturo@gmail.com .
    Vida longa e próspera!

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  5. É realmente fascinante a Web...
    Posso finalmente encontrar neste pedaço de hiperespaço pessoas que compartilham das minhas idéias e que trazem um sentimento otimista com
    elas.
    Parabéns pela iniciativa!

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  6. Rubens, compartilho de idêntico sentimento!
    E penso que devemos cultivar e lapitar essas ideias... Acho que o potencial delas é enorme, seja para garantir aos individuos "sossego existencial" (uma resposta audaz à morte e ao sofrimento), seja para moldar positivamente o futuro em direção a um quantum de felicidade muito maior a um número cada vez maior de pessoas...

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  7. Parabens pelo texto,No meu ponto de vista nos a humanidade temos que segui pelo fim das religiões, pois esta mais do que claro de que elas estão no caminho errado, não esto condenando as religiões ja que elas desempenham um papel importante na sociedade, que com certeza estariam muito pior sem as igrejas, mas olhando pelo aspecto da palavra religião que significa religar ao ser supremo, já que dele viemos a ele temos que voltar. isto me levar a crer que o futura teríamos uma força maior que todas as religiões - a Consciência. este sim deve ser o objetivo de todos os homens,

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