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sábado, 18 de dezembro de 2010

Histórias transhumanistas: o único meio de atingir as estrelas é vivendo mais

Visão privilegiada da Via Láctea no céu seco do Arizona, EUA. O único meio de atingir as estrelas é vivendo mais, muito mais.

Arizona, década de 90. Dois irmãos se deslumbram com visões noturnas da Via Láctea e sonham com viagens de exploração espacial. No entanto, são inteligentes e realistas o bastante para admitirem que, dado o ritmo do progresso da exploração espacial, não haveria tempo, no curso de suas vidas, para viagens espaciais: provavelmente ainda demorará uma década ou mais só para o homem retornar à Lua (feito este que deverá ser realizado pelos chineses; uma viagem a Marte é ainda mais remota). Ademais, mesmo que se acelerasse o ritmo das viagens espaciais, como ocorreu na época da Guerra Fria, você precisaria, na melhor das hipóteses (com naves que viajassem muitíssimo mais rápido que as de hoje), de cerca de um século só para fazer a viagem de ida para a estrela mais próxima. Definitivamente, seres humanos não foram desenhados para viagem espaciais.

O que fazer, então? Talvez deixar o sonho da exploração espacial para lá e tocar a vida, fazendo outra coisa. Ganhar dinheiro e se dedicar à aviação ou aos foguetinhos amadores como hobby. Mas, espere aí. E se... Não, isso é impossível! Mas não custa pensar... e se descobríssemos tudo sobre biologia molecular de modo que pudéssemos reescrever nosso DNA para vivermos uma vida longa o bastante (de preferência, indefinidamente longa, sem envelhecimento) para que pudéssemos, então, realizar explorações espaciais sem pressa?

"Roteiro barato de ficção científica", poderia passar pela cabeça de algum leitor enquanto torce o nariz para este post. Mas esta é a história real dos irmãos Michael and William Andregg ("brothers Andreggs").

Trabalhando por cinco anos, de maneira independente e com pouca instrução ou orientação formal, Michael e William desenvolveram uma forma inovadora de manipulação de moléculas individuais em uma plataforma que permite um novo tipo de seqüenciamento de DNA muito mais barato e rápido que as técnicas tradicionais. Os irmãos fundaram uma empresa, a Halcyon Molecular, e receberam alguns milhões de dólares de investimento (dentre seus investidores, encontra-se o lendário Peter Thiel), inclusive US$2,5 milhões do  National Institutes of Health (NIH) dos EUA como parte de um programa que visa desenvolver senquenciamento genético de baixo custo (os Andreggs acreditam que um completo entendimento do genoma, com a transformação da biologia molecular em uma tecnologia da informação, é indispensável para terapias que possam radicalmente estender a longevidade humana). Colaboradores da Halcyon Molecular também publicaram um trabalho científico que ganhou a capa da revista Nature. Confira trecho de entrevista de William Andregg ao TechCrunch:



"Não há nada inevitável sobre o nosso sucesso. Todo mundo que tem talento suficiente para fazer alguma contribuição deveria estar tentando ajudar, em todas as frentes, por qualquer meio ético, como se fosse uma questão de vida ou morte -- porque é." -- William Andregg

TechCrunch: Qual é sua opinião sobre longevidade e a extensão da vida em comparação com as de Aubrey de Grey e Ray Kurzweil?

William Andregg: "Partes do projeto SENS devem ser urgentemente financiadas e testadasDito isto, eu trabalho com sequenciamento, e não com SENS, porque a nossa abordagem para a cura do envelhecimento busca primeiro transformar a biologia em uma ciência da informação (...).  Acredito que podemos chegar a um completo entendimento da biologia humana em apenas algumas décadas, o que é mais parecido com o cronograma do Kurzweil. Por outro lado, se o cronograma do SENS for perseguido hoje, poderá salvar milhões de vidas antes de se conquistar um total entendimento da biologia que seja aproveitável para nós. É bom apostar em coisas diferentes.

"Quanto ao Kurzweil, não quero parecer injusto e eu gostaria de ouvir seus pensamentos sobre isso, mas tenho receio de que seus livros desmotivem as pessoas que poderiam contribuir para a causa, talvez dando-lhes a impressão de que a Singularidade não só vai chegar como é inevitável. Alimente-se direito, faça exercícios físicos, tome essas pílulas e, não se preocupe, esses cientistas inteligentes e trabalhadores vão resolver tudo para você. Em contraste, uma grande qualidade de Aubrey como líder é que ele exorta as pessoas a se mexerem e dar uma contribuição.

"Nós podemos não sobreviver nos próximos 20 anos. Nós podemos nunca curar o envelhecimento. Não há nada inevitável sobre o nosso sucesso. Todo mundo que tem talento suficiente para fazer uma contribuição deveria estar tentando ajudar, em todas as frentes, por qualquer meio ético, como se fosse uma questão de vida ou morte -- porque é.
"E os mais talentosos devem enviar seus currículos imediatamente a Halcyon."

Colaboradores da Halcyon Molecular ganharam a capa da Nature com o recente artigo “Atom-by-atom structural and chemical analysis by annular dark-field electron microscopy”.

2 comentários:

  1. enfim terminei. vou abrir uma lista de blogs ateh no meu blog.
    continue seu trabalho
    e sobre o post, é fundamental termos responsabilidade por nossas próprias vidas ao invés de esperarmos por outros.

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  2. Em parte, concordo com a opinião de William Andregg sobre Kurzweil, talvez ele devesse, nas suas entrevistas, incentivar a porem mão à obra mas, por outro lado, poderia ser entendido como uma falta de confiança nas suas previsões - "É preciso que todos ponham mão à obra para que as minhas previsões não falhem..."

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