sexta-feira, 22 de julho de 2011

Um robô que voa como um pássaro no TED

Quem ainda não se viciou nas palestras do TED deve tomar cuidado com o vídeo abaixo (vale a pena assistir, mesmo que você não entenda inglês):

domingo, 10 de julho de 2011

Khan Academy: começaram as legendas em português do Brasil

(atualizado em 13/02/2012, veja abaixo)

Excelente notícia! Começaram aparecer as legendas em português na Khan Academy!

Não sei quando começaram (provavelmente há algum tempo), mas neste fim de semana eu estava apresentando a Khan Academy para alguém especial quando me dei conta de que muitos dos vídeos iniciais de matemática já estão com legenda em português. 

Para facilitar a vida de quem não tem intimidade com a Khan Academy, fiz a imagem abaixo, onde mostro em 03 passos como colocar as legendas em português. Lembrar que, para fazer login na Khan, você precisa de uma conta do Google ou no Facebook.

Como adicionar legenda em português na Khan Academy em 03 passos.

Uma sugestão: não se deixe intimidar com a lingua inglesa. Aproveite a oportunidade de estudar pela Khan Academy para aprender ou melhorar seu conhecimento na língua. Um bom recurso para isso é usar o tradutor do Google


Quem quiser ajudar a traduzir as legendas, como voluntário, encontra uma explicação aqui:

https://sites.google.com/a/khanacademy.org/forge/for-translators/reference-page 

Torne-se um tradutor colaborador fazendo sua aplicação nesta página: 'Contribute'.

***ATUALIZAÇÃO***
(13/02/2012)
Além das legendas embutidas nos vídeos da Khan Academy, A Fundação Lemann (www.fundacaolemann.org.br/khanportugues), em parceria com o Instituto Península e o Instituto Natura (mais uma iniciativa arrojada do empresário Guilherme Leal) começou a dublar os vídeos da Khan Academy, com dublagem profissional. E a boa notícia fica ainda melhor: assim como na Califórnia e em outros lugares dos EUA, o projeto da Fundação Lemann e seus parceiros pretende levar a Khan Academy para dentro das escolas, em um experimento para tentar aprimorar a educação (mais informações: http://www.fundacaolemann.org.br/khanportugues/nas-escolas.php). Parabéns à Fundação Lemann, ao Instituto Natura e ao Instituto Península pela iniciativa: isso é filantropia de grande alavancagem!

Lembre-se: além os vídeos, a Khan Academy abrange exercícios (com revisões agendadas) e estatísticas detalhadas sobre o aprendizado (veja o vídeo de Salman Khan no TED para entender melhor isso: http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/salman_khan_let_s_use_video_to_reinvent_education.html).

Veja abaixo alguns vídeos da Khan Academy já dublados (veja a lista completa: 


Primeira Lei de Newton:


Números primos:
 

Introdução à seleção natural:

Sam Harris: ciência versus religião

Ontem assisti à fala de Sam Harris no BigThink. Achei excepcionalmente boa! 



A palestra é dividida em pequenos trechos e acho que todos podem ser encontrados legendados no youtube. Vale a pena repassar e divulgar. Eis alguns trechos:



(clique e vá ao site do youtube para ver as legendas)

Dentre os argumentos de Harris, encontrei exatamente o argumento que me levou a perder a fé na bíblia e em qualquer religião, há muitos anos atrás:



Fiz algumas críticas à Revista Veja aqui, mas a revista merece elogios pelo espaço que dá à cobertura do secularismo. Confira-se, por exemplo, as excelentes entrevistas abaixo:

A religião faz mal ao mundo
Não acreditar em Deus é um atalho para a felicidade

Trecho de uma das entrevistas:

Revista Veja: O senhor acha que o mundo seria melhor sem religião, sem fé, sem crença em Deus?
Sam Harris: Seria melhor se não houvesse mentiras. A religião é construída, e num grau notável, sobre mentiras. Não me refiro aos espetáculos de hipocrisia, como quando um pastor evangélico é flagrado com um garoto de programa ou metanfetamina, ou ambos. Refiro-me à falência sistemática da maioria dos crentes em admitir que as alegações básicas para sua fé são profundamente suspeitas. É mamãe dizendo que vovó morreu e foi para o céu, mas mamãe não sabe. A verdade é que mamãe está mentindo, para si própria e para seus filhos, e a maioria de nós encara tal comportamento como se fosse perfeitamente normal. Em vez de ensinarmos as crianças a lidar com o sofrimento e ser felizes apesar da realidade da morte, optamos por alimentar seu poder de se iludir e se enganar.


***

Onde não concordo com Harris: que todos podem ser seculares como ele. Há questões sociológicas, biográficas e talvez até neurobiológicas (diferença de perfis neurobiológicos) envolvidos aí. Uma coisa é você crescer em uma família secular e ser filósofo e neurocientista por Stanford e fazer do debate de ideias seu meio de vida. E, além disso, ter um certo "perfil neurobiológico", vamos chamar assim. Outra coisa é você nascer em uma família religiosa, passar a vida realizando outros tipos de trabalhos (acho que não seria uma maluquice levantar a hipótese de que na era industrial pensar demais pode até atrapalhar o desempenho em certos trabalhos) e não ter o mesmo "perfil neurobiológico". O trabalho de Harris tem valor? Na minha opinião tem e muito! Mas há mais de século a religião é amplamente atacada e isso não acabou com ela. Na minha opinião, precisamos de alternativas. Por exemplo, aquela de que cuida deste blog: cultivar projetos de engenharia semelhantes a alguns dos melhores contos de fadas da religião, mas conscientes de sua natureza: é um sonho, um ideal, uma possibilidade, o melhor que temos a nossa disposição com os recursos que temos (inclusive com a honestidade).

Para encontrar livros de Sam Harris:
http://www.estantevirtual.com.br/mod_perl/busca.cgi?pchave=Sam+Harris&alvo=autor+ou+titulo

Vê se a Rainha ri disso!

No último post tentava argumentar que o mal-estar em relação à morte e outros aspectos negativos da condição humana não é exclusividade transhumanista. O segundo exemplo com que gostaria de ilustrar este traço humano pan-cultural da consciência (e desejo de transcendência) de aspectos negativos da condição humana pode ser encontrado em Hamlet, de Shakespeare, e em vários escritores do renascimento ou do barroco.

Vejamos, de início, a visão de Shakespeare (ou pelo menos de Hamlet) do mundo:

“Como são enfadonhas, azedas ou rançosas,
Todas as práticas do mundo!
Ó tédio, ó nojo! Isto é um jardim abandonado,
Cheio de ervas daninhas,
Invadido só pelo veneno e o espinho –
Um quintal de aberrações da natureza.” (Hamlet, I, 2)

Ou, ainda, falando da terra e do ar:

“o ar, olhem só, o esplêndido firmamento sobre nós, majestoso teto incrustado com chispas de fogo dourado, ah, para mim é apenas uma aglomeração de vapores fétidos, pestilentos. Que obra-prima é o homem! (...) Contudo, para mim, é apenas a quintessência do pó.”

Em uma cena famosa de Hamlet, que se passa em um cemitério, depois de refletir sobre a fragilidade da vida humana e da decomposição de corpos que outrora foram pessoas, Hamlet toma em suas mãos o crânio do falecido bobo da corte, Yorick, e indaga a caveira descarnada:

“Yorick, onde andam agora as tuas piadas? Tuas cambalhotas? Tuas cantigas? Teus lampejos de alegria que faziam a mesa explodir em gargalhadas? Nem uma gracinha mais, zombando da tua própria dentadura? Que falta de espírito! Olha, vai até o quarto da Rainha e diz a ela que, mesmo que se pinte com dois dedos de espessura, este é o resultado final; vê se ela ri disso!” (V, 2)

Hamlet para a caveira do bobo da corte: “Olha, vai até o quarto da Rainha e diz a ela que, mesmo que se pinte com dois dedos de espessura, este é o resultado final; vê se ela ri disso!”


Essa consciência da fragilidade e da nulificação do sentido da vida pela consciência da morte pode ser encontrada até em autores do outro lado do Atlântico, como Gregório de Matos:


“Nasce o Sol e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tritezas, a alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falta a firmesa,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se a triteza,
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza.
A firmeza somente na incostância.”
(Gregório de Matos em “Inconstancia das coisas do mundo”)


Mas um importante detalhe deve ser observado: em muitas destas críticas (como no caso de Gregório de Matos), as evocações eloquentes dos aspectos negativos da existência humana não eram tão deprimentes quanto à primeira vista podiam parecer. A ênfase nos aspectos negativos da existência mundana se fazia em contraste com outra existência superior e perfeita, tomada por garantida: a espiritual. Assim, por mais que se atacasse a existência material como fútil ou fétida, essa crítica servia para dourar, pelo contraste, o ouro espiritual.

É interessante, ainda, notar que mesmo visões otimistas da vida terrena, como a dos filósofos iluministas e sua crença inabalável na ciência como instrumento do progresso e bem-estar humanos, pressupunham a existência de Deus (deísmo) e da imortalidade da alma. Na verdade, essa crença era a base de vários sistemas filosóficos e científicos, como o de Descartes e Newton.  Newton era envolvido em várias atividades místicas, como a alquimia e tinha crenças improváveis, como a de que pertencia a uma sociedade secreta que remontava à época de Pitágoras. Descartes inventariou uma série de raciocínios céticos em suas meditações, levando a dúvida até as últimas consequências como uma tentativa de refutar as dúvidas e afirmar a certeza de verdades como a existência de Deus e a imortalidade da alma. Mas o mesmo espírito crítico e cético que sepultara as superstições e a autoridade da Igreja se desenvolveria a tal ponto de também derrubar estas certezas iluministas, certezas estas responsáveis pela elegância de seus sistemas filosóficos e pela visão de mundo e da condição humana otimistas que irradiava do "século das luzes".

A consequência desses desdobramentos é que chegamos ao ponto em que temos a mesma consciência de sempre dos aspectos negativos da condição humana, porém, agora -- exceto para os crentes e supersticiosos --, não temos a menor perspectiva das glórias douradas da vida espiritual: tanto para os bons quanto para os maus, o destino final é a extinção com a morte: “bons ou maus, belos ou feios, ricos ou pobres, todos são iguais agora”, reduzidos ao nada. Se adicionarmos a isso  toda destruição e sofrimento detonada no século XX, chegamos a um panorama nada auspicioso para a humanidade, um engolfamento existencial. Uma situação que parece pendular de um lado, para os roteiros ingênuos de faz-de-conta da religião (seja em suas versões mais brutas e tradicionais, seja nas modalidades mais lights e espiritualizadas). De outro lado, temos a aceitação da realidade árida como ela é, o contentamento em viver a vida em sua miséria ordinária, com pequenas vávulas de escape no álcool, no sexo e na diversão.

Sem necessariamente abrir mão de todas as "válvulas de escape", vejo o transhumanismo como uma forma de contornar este estado de coisas. Por um lado, não se nega a dureza e aspereza da realidade, nem se tenta maquiá-la com mitos (não, não há nada que sustente a ideia de que Deus exista ou nos ouve e, principalmente, não há qualquer indício de existência após a morte, a não ser a mistura humana de medo e imaginação). Por outro lado,  não se conformar com as coisas como elas são: propõe-se usar a engenhosidade humana para aproximar a realidade dos sonhos acalentados pela humanidade desde épocas imemoriais. Sonhos que, tomados como realidade pelas religiões, serviram como sedativos até os dias de hoje. Nesse aspecto estou de acordo com Kurzweil quando ele diz que não é mera coincidência que várias de suas ideias parecem ter ressonância com as ideias religiosas: é que tais ideias refletem os objetivos da humanidade.

Mas nessa difícil jornada de luta e afirmação da vida, de busca por mais vida, é preciso ter cautela e distinguir os fatos dos projetos ou separar os fatos das especulações. Por um lado, celebrar e antever a concretização de objetivos fabulosos nos inspira e nos ajuda a manter a motivação e potencializar a ação. Por outro, é preciso ter em mente que só se pode alterar a realidade com um conhecimento objetivo e preciso dela. Distorcer os fatos movidos por um desejo de enxergar fontes  de água fresca e tamareiras onde há apenas areia quente significaria sair de uma fria (o delírio religioso) para entrar em uma fria ainda maior (um delírio tecnicamente requintado, mais difícil de ser denunciado). E é por isso que defendo que, independentemente da possibilidade de realização de qualquer proposta particular que povoe o ideário transhumanista (criogenia, upload da mente, imortalidade física, singularidade, nanotecnologia capaz de fabricar quaisquer materiais etc.), o que importa é o método: o de usar a tecnociência para moldar a realidade. Essa é, a meu ver, a única conciliação possível entre ciência e religião: transformar os melhores sonhos desta em projetos daquela.

sábado, 2 de julho de 2011

Raul Seixas, um transhumanista?

Publiquei aqui há algum tempo a tradução de um artigo de James Thomas, em que ele enxergava vários elementos comuns entre a filosofia de Schopenhauer e o transhumanismo. Mais especificamente, este elemento: a consciência dos aspectos negativos da condição humana e, ao mesmo tempo, a crença em uma saída terrena para superá-los. Nas palavras de Thomas:
“A filosofia de Schopenhauer mistura Platão, Kant e os Upanishads hindus para criar uma visão de mundo que consegue ser atraente e deprimente: a existência é sofrimento. É uma pancadaria infindável de dor e tédio, aliada a um esforço constante para o que não pode ser atingido. E ainda assim, há escapatória. Os seres humanos podem executar obras de arte e perder-se na arte da música, no jogo, ou na criação.”

Para Schopenhauer, a saída seria a  contemplação intemporal de uma realidade mais elevada, como a arte ou projetos intelectuais. Para os transhumanistas, além de possíveis saídas psicológicas, a solução definitiva envolveria mesmo redesenhar mentes e corpos humanos.

Críticos argumentam que este traço do transhumanismo revela um desprezo pelo corpo, uma obcessão com a perfeição e juventude e um medo irracional (?!) envolvendo a morte (Borgo). Transhumanistas rebatem dizendo que o desejo de recuperar a juventude, especificamente, e transcender as limitações naturais do corpo humano, em geral, é um fenômno pan-cultural e histórico, isto é, visível em todos os lugares, em todas as épocas (Bostron).
E, neste post e no seguinte, vou tentar argumentar com um exemplo a universalidade destas ideias. Tentarei trazer outros exemplos em um futuro post.

Ouro de Tolo
Há algum tempo ouvi a música “Ouro de Tolo” de Raul Seixas e me dei conta de que ela também possui os mesmos elementos a que James Thomas se referiu como transhumanistas. Vamos a um trecho da música (clip dela aqui):




“Eu devia estar feliz pelo Senhor ter me concedido o domingo
Prá ir com a família no Jardim Zoológico dar pipoca aos macacos...
Ah! Mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro Jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco...
É você olhar no espelho e se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado 
Que só usa dez por cento de sua cabeça animal...
E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte para o nosso belo quadro social...
Eu que não me sento no trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes
Esperando a morte chegar...
Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador...” (Raul Seixas, Ouro de Tolo)
Temos aí a ideia da futilidade das práticas sociais, a consciência das limitações humanas e da morte e, não obstante, uma remota possibilidade de escapatória desta sensação de “claustrofobia existencial” pela imaginação ou pela interação com discos voadores (o mito secular do século XX).  

O famoso psicólogo Karl Gustav Jung considerava que os fenômenos UFO eram uma espécie de mito moderno, um mito com temas mais racionais (os ETs são seres vivos materiais, viajam em veículos voadores produtos de uma engenharia superior etc.), porém surgido da mesma necessidade humana de colocar algo no lugar dos erodidos mitos religiosos.

A diferença radical em relação ao transhumanismo? O plano destes é efetivar pela ciência uma alteração da própria condição humana, isto é, uma transcendência material que visa tornar o material mais próximo dos sonhos de beleza e bem-estar cultivados pela humanidade no plano da imaginação (como a ideia de paraíso, presente em todas as religiões). Já artistas como Raul Seixas procuravam a escapatória “queimando a vela dos dois lados” com as drogas e/ou com formas estranhas de experiências religiosas, como o ocultismo (isto é, uma mistura de mito e experiências com o inconsciente), que às vezes envolvia elementos de ufologia.

Isso pode ser tema de uma reflexão futura entre as semelhanças (que são várias) entre a ufologia e o singularitarianismo. Desde já antecipo minha opinião: a de que, idenpendentemente da concretização de cada hipótese em particular (tais como a singularidade, o "upload" da consciência etc.), o projeto transhumanista, no conjunto, é o que tem valor. É como a ciência: as hipóteses e teorias científicas mal surgem e são derrubadas, mas o método científico é o motor perene que gera o conhecimento. Em relação ao transhumanismo, a mesma lógica se aplica: sendo ou não viável uma ou outra ideia (muitas se mostrarão inadequadas), o método de buscar objetivamente alterar a realidade em direção a uma potencialização do bem-estar humano é o que importa.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

"Imortalidade física", Aubrey de Grey, Alcor etc. em documentário do History Channel



Excelente documentário do "History Channel" sobre o envelhecimento e "a vida eterna", com a participação, dentre outros, de Aubrey de Grey e um relato histórico da criação da Alcor (um detalhe: transhumanistas preferem falar em "amortalidade" ou "viver indefinidamente" a "imortalidade" ou "vida eterna"). O documentário está completo no youtube, em 03 partes (é só assistir a primeira que se chega às outras). É o episódio 02 da série "Isto é impossível" (que retrata coisas aparentemente impossíveis). Excelente dica do blog http://transhumanismopt.blogspot.com/p/contactos.html .


Confira, ainda, a palestra de Aubrey no TED

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Trailer Transcendent Man legendado português pt br

 (Este acima com a legenda oculta)

 (Este com a legenda embutida)

Para quem quer divulgar as ideias relacionadas a este blog, uma boa estratégia é divulgar o trailer de "Transcendent Man", agora legendado (o trailer está legendado, o filme já estava). Um trailer é conscientemente produzido para gerar suspense, impacto e curiosidade de ver o filme. Mais informações sobre o filme aqui:
http://fabulosofuturo.blogspot.com/2011/05/finalmente-transcendent-man-legendado.html

Outra forma de ajudar a divulgar as ideias do blog é apertando o botão "+1" do Google:

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ray Kurzweil e Aubrey de Grey na capa da Veja desta semana


"Precisamos de tempo para sonhar, tempo para recordar, e tempo para atingir o infinito. Tempo para ser." -- Gladys Taber


Ray Kurzweil e Aubrey de Grey ganharam a capa da Revista Veja (a maior, não necessariamente a melhor, do Brasil) esta semana. A matéria está razoavelmente boa. Intrigante, no entanto, é o fato de o destaque maior (na capa) ter sido dado ao Timothy Ferriss, "o homem-laboratório", um excêntrico escritor de auto-ajuda, colocado na mesma estatura do Aubrey (que desenvolve um projeto científico sério sobre o assunto). Isso provavelmente se explica pelo fato da revista Veja geralmente privilegiar a massa muscular à massa cinzenta. 

O "homem-laboratório" já deu uma palestra no TED e, nos comentários, há críticas bem fundamentadas sobre ele e seu trabalho. Ele possivelmente até tem algumas ideias boas, mas eu rejeito o estilo dele (e me decepciono com o fato de ele, ao que parece,  dar aulas na SingularityU, reforçando a imagem da instituição de "Disneylândia dos cientistas ricos") por me parecer  um estilo mistificador, algo que fica próximo de uma mistura de intelectual francês com mágico de shopping center. Acho que não é disso que o mundo precisa. Precisa de simplicidade honesta, esclarecimento  imparcial e inteligência -- um novo iluminismo do homem comum, um iluminismo de bilhões (e não de centenas) de pessoas, como o anterior.
A postura da matéria da Veja foi inegavelmente favorável às ideias transhumanistas (a crença no progresso tecnológico é um componente do conservadorismo -- neste caso, pra mim, um componente  que por acaso é verdadeiro).  Mas o ponto fraco é que, a Revista, para parecer ao leitor ter uma postura crítica e inteligente, se deteve em aspectos histriônicos e banais do assunto, como "a esposa de Aubrey tem os dentes estragados de tanto fumar" ou "é anti-ético Kurzweil vender suplementos para longevidade" (não vejo nada de anti-ético, desde que isso seja feito publicamente, como é; eis o ranço do caldo cultural católico romano contra o lucro até mesmo em uma revista fundada por um empresário judeu!). Se o assunto é longevidade radical e rejuvenescimento (algo que todo  mundo quer), a indagação que viria à mente de uma pessoa inteligente seria: quais são os empreendimentos  científicos sérios que estão sendo financiados nesse sentido? 

Os jornalistas da Veja poderiam ter se dado ao trabalho de investigar mais a fundo a resposta a esta questão, e poderiam encontrar projetos como os dos irmãos Andreggs (Halcylon Molecular) ou de Laura Deming, ambos patrocinados pelo "Don" do Vale do Silício, Peter Thiel (que também investiu no SENS de Aubrey, conforme a revista informou). Ou ter explicado a controvérsia envolvendo Aubrey de Grey e a Technology Review.

De qualquer modo, foi uma grande divulgação dessas ideias, a Veja seguramente deve ter alguns milhões de leitores no Brasil. A mesma edição da revista trouxe uma excelente reportagem sobre a Khan Academy (esta, realmente, muito boa). Mas, seja na matéria sobre a Khan Academy, seja na matéria especial sobre os transhumanistas, a Revista Veja deixou de mencionar um detalhe (um elefante na sala) com o qual ela nem de longe parece se importar tanto quanto os decotes e as pernas de louça das moças bonitas: a desigualdade no Brasil.




Aubrey de Grey no TED: "Envelhecer é um horror, porém inevitável, então temos que encontrar um jeito de não pensar no assunto, e é racional que façamos tudo o que quisermos para isso. Como, por exemplo, inventar desculpas ridículas de que envelhecer é uma coisa boa no fim das contas" ou tentar ridicularizar a própria discussão envolvendo o envelhecimento, eu diria...

sábado, 4 de junho de 2011

Khan Academy e a desigualdade da educação no Brasil


***Veja abaixo: atualizado em 13/02/2012 com notícia dos vídeos dublados em português pela Fundação Lemann***
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Acabei de assistir ao Colbert Report sobre Salman Khan (em inglês). Simplesmente fantástico! Faz tempo que queria escrever sobre o Khan aqui.

Para quem não conhece, a Khan Academy tem a ver com isto: disponibilizar a melhor educação possível (melhor, por exemplo, que a de escolas tradicionais ou os caríssimos cursinhos preparatórios para o vestibular) para todos, em qualquer lugar do mundo, gratuitamente: sejam os filhos do Bill Gates (sim, Bill Gates disse que usa a Khan Academy com seus filhos), seja um aluno pobre (com acesso à internet) na periferia de São Paulo ou no interior do Piauí.

Salman Khan é um jovem adulto americano descendente de indianos. Formou-se em engenharia e ciência da computação pelo MIT e tem um MBA por Harvard. Trabalhava como analista de fundo de investimentos, emprego que largou para dedicar-se inteiramente à Khan Academy (na palestra abaixo ele explica como surgiu a Khan Academy: ajudando suas sobrinhas no dever de casa). Seu projeto foi contemplado com doações milionárias do Google e da fundação de Bill Gates, bem como de várias outras pessoas pelo mundo afora.

Alguém consegue imaginar o impacto que algo como a Khan Academy pode ter em países desiguais como o Brasil, onde o acesso a universidade pública é socialmente restringido pela péssima qualidade do ensino público (uma máquina de destruir talentos) de um lado e a indústria, para muitos inacessível, de cursinhos de outro? Eis o maravilhoso modelo de civilização que conseguimos criar nos trópicos: a péssima qualidade do ensino público -- que destrói o futuro e as oportunidades de ascensão social de dezenas de milhões de crianças -- abre um dos mais rentáveis nichos econômicos no Brasil, a indústria dos cursinhos.

Já li alguns analistas dizendo que a Khan Academy é o começo de algo muito grande, podendo se tornar uma das mais influentes instituições de ensino de todo mundo no futuro, algo como o MIT do século XXI. E acho que estão fundamentalmente corretos.  Eu mesmo sou um aluno da Khan Academy, acho o "mapa do conhecimento" (em forma de galáxia) deles fantástico e dedico algumas horas por semana ao estudo de matemática (quero completar integralmente o curso de matemática da Khan Academy). O software deles, ao que parece fornecido com algum suporte do Google, é outro instrumento impressionante, no geral, o estudo fica parecendo um jogo (outra grande tendência dessa década: os jogos úteis). Os exercícios são ritmados e há revisões periódicas e automáticas para se certificar de que você não está deixando as coisas para trás.

Até pouco tempo não havia legendas ou dublagem em português para os vídeos do Khan (a não ser aquela poética tradução experimental do Youtube. Mas já começaram as legendas em português na Khan Academy e, mais recentemente, um programa de dublagem (veja abaixo) das aulas para o português.
A minha opinião é de que Khan, a despeito de toda sabedoria convencional, está demonstrando que "vídeos com palestras-aula e exercícios online são educação". Milhões de pessoas estão experimentando exatamente isso. Isso elimina os outros fatores importantes para a educação, como pais ou amigos? Claro que não. Mas a "tecnologia Khan Academy" pode se tornar um fator principal de modo a compensar até certo ponto a carência de outros (como dar família ou pais interessados para quem não tem?). Você pode não ter amigos motivados na educação, mas pode conhecer vários pelo próprio ambiente do youtube ou outros que venham a ser criados (o OCW-MIT criou um). Eu diria ainda mais: vários desses fatores são opcionais. A história está cheia de exemplos de autodidatas que foram capazes de realizações significativas mesmo ausentes -- ou a despeito de -- vários desses fatores (pais ou amigos estudiosos etc.). E agora os autodidatas têm mais uma grande ferramenta: a Khan Academy.

Mas para que a sociedade faça a transição para novos modelos de educação, será preciso experimentar e aperfeiçoar o modelo e, talvez o principal, vencer resistências. E a resistência vem de quem mais poderia ganhar com novos modelos: os professores. Se alguém me perguntasse sobre uma característica de nossas instituições de ensino no Brasil, eu apontaria: são instituições burocráticas que gravitam em torno de interesses corporativos (mal representados, é claro). A despeito de todo pernosticismo e teorias que envolve a educação no Brasil, a última coisa a se preocupar é com os alunos ou melhor, o que se passa na cabeça deles: aquisição e produção de conhecimento. Crie um projeto vago e imensurável, empregue alguns termos abstratos e incomuns como "agentes multiplicadores" e, “voilà”, você tem um projeto promissor!

E, se você fala em medir resultados, está atentando contra os professores! Na universidade brasileira a coisa fica pior. Porque aí não há só os interesses corporativos dos professores, há também os interesses dos servidores, técnicos administrativos etc. Já ouvi dizer que houve caso em universidade no Brasil em que o voto de servidor (no conjunto) valia mais que o dos professores. Vence as eleições quem distribui mais churrasco e cerveja. Definitivamente, não é por acaso que não somos uma potência tecnológica.
 
Pois bem, vejo que em relação à Khan Academy há um certo receio dos professores de serem diminuídos ou suplantados pela automação, pela descoberta de uma fórmula capaz de fazer de maneira melhor, tremendamente econômica e "em massa" o que se fazia individualmente (os médicos também vão ter que enfrentar esta questão com o Ibm Watson: ele venceu um grupo de médicos recentemente em uma disputa envolvendo diagnóstico). Esta é uma visão muito equivocada e estreita. É olhar para o risco, mas não para as novas oportunidades. A Khan Academy não dispensa os professores; pelo contrário, os qualifica: o professor, agora, pode, além de repetidor de explicações, um analista, um "coacher" de jovens cérebros. É algo mais qualificado, mais criativo, menos repetitivo e desgastante e ele provavelmente seria melhor pago por isso. Infelizmente, as pessoas não costumam estar abertas a novas ideias e oportunidades. É como a história do macaco com a mão na cumbuca: ele morre na armadilha mas não abre a mão.

Politicamente, tendo a me identificar alguns ideais libertários e alguns ideias de esquerda, sempre aberto a outras contribuições, sem a militância irritante dos defensores mais radicais de ideologias que querem distorcer o mundo a qualquer custo para enquadrá-lo em suas visões (Tenho dúvidas, por exemplo, quando leio na revista Veja coisas como "A China virou a segunda potência do mundo porque seguiu a cartilha liberal que defendemos..." e que os EUA, que sempre fazem "tudo certo", "estão próximos de garantir o acesso à educação superior a quase todos seus jovens"; será mesmo? E o débito universitário?). Quando se verifica que o mal funcionamento de uma sociedade (como a má qualidade da educação pública no Brasil) se torna uma indústria lucrativa, acho que todos podemos concordar, independentemente de filiação ideológica, que temos um grande problema. A desigualdade na educação é o maior atentado que uma sociedade pode cometer contra a liberdade: é você matar não só a liberdade, mas até a mera possibilidade da liberdade no seu berço. E esse nível de desigualdade não é o mesmo na Dinamarca, na Califórnia ou na Índia e no Brasil. Criar um mecanismo (como a Khan Academy) para oferecer as melhores ferramentas de educação e colaboração independentemente de onde a pessoa esteja (isto é, se ela der a sorte de não estar em lugares com a internet bloqueada como a Coreia do Norte ou Cuba) é, para mim, um grande, um enorme avanço da civilização.

Quem quiser entender melhor a Khan Academy, vale a pena conferir e divulgar a palestra do TED abaixo.

 



***ATUALIZAÇÃO***
(13/02/2012)
Além das legendas embutidas nos vídeos da Khan Academy, A Fundação Lemann (www.fundacaolemann.org.br/khanportugues), em parceria com o Instituto Península e o Instituto Natura (mais uma iniciativa arrojada do empresário Guilherme Leal) começou a dublar os vídeos da Khan Academy, com dublagem profissional. E a boa notícia fica ainda melhor: assim como na Califórnia e em outros lugares dos EUA, o projeto da Fundação Lemann e seus parceiros pretende levar a Khan Academy para dentro das escolas, em um experimento para tentar aprimorar a educação (mais informações: http://www.fundacaolemann.org.br/khanportugues/nas-escolas.php). Parabéns à Fundação Lemann, ao Instituto Natura e ao Instituto Península pela iniciativa: isso é filantropia de grande alavancagem!

Lembre-se: além os vídeos, a Khan Academy abrange exercícios (com revisões agendadas) e estatísticas detalhadas sobre o aprendizado (veja o vídeo de Salman Khan no TED para entender melhor isso: http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/salman_khan_let_s_use_video_to_reinvent_education.html).

Quando vejo esses vídeos da Khan Academy (veja a lista completa:
www.fundacaolemann.org.br/khanportugues), lembro desta frase de Miguel Nicolelis: "Ciência é o melhor emprego que existe, pagam você para ser moleque, experimentar, se divertir."


Primeira Lei de Newton:


Números primos:
 

Introdução à seleção natural:

Post revisado em 29/03/2012

Dr. Michio Kaku: nos tornaremos os deuses que uma vez tememos

"Como Zeus, teremos controle mental de objetos a nossa volta. Como Vênus, teremos corpos perfeitos que não envelhecem." -- Dr. Kaku

Minha tradução (não profissional) do vídeo de Michio Kaku no Big Tink (). Cada vez mais Dr. Kaku parece se aproximar do ideário transhumanista, o que é extremamente positivo, já que Kaku é um dos maiores divulgadores da ciência de todos os tempos e já deve ter inspirado milhões de pessoas a escolherem as carreiras científicas.

DR. MICHIO KAKU:
"Em algum ponto no futuro, teremos robôs tão inteligentes como nós. Por que não aprimorar a nós mesmos?

"Fundamentalmente, somos os mesmos homens e mulheres da caverna de cem mil anos atrás que surgiram na África. Exceto pela sabedoria e aparelhos de hoje, nossa personalidade básica é a mesma. As pessoas querem parecer aceitáveis aos seus pares e às pessoas do sexo oposto.  Assim, viver em um mundo pós-humano não será muito diferente do que viver no mundo de hoje, exceto pelo fato de que nós teremos corpos perfeitos, nós não envelheceremos. Nós nos tornaremos os deuses que uma vez tivemos medos [desde os primordios da civilização os seres humanos temem de alguma forma os deuses].

A atriz Uma Thurman interpretando Vênus em " As Aventuras do Barão de Münchhausen".
 
"Como Zeus, teremos controle mental de objetos a nossa volta. Como Vênus, teremos corpos perfeitos que não envelhecem. Como Apolo, teremos carruagens que nos farão voar sem esforço para o céu sem energia do outro lado. E como Pégasus, teremos animais que nunca andaram na superfície da terra ou só existiram há dezenas de milhares de anos. Em outras palavras: se nós hoje encontrássemos nossos avós de 1900 e eles vissem nossos foguetes, GPS, IPADs, eles nos considerariam magos, bruxos, da mesma maneira que nós perceberíamos hoje as pessoas de 2100: nós os veríamos como os deuses da mitologia."