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domingo, 29 de maio de 2011

Patri Friedman: como construir seu próprio país?

Às vezes somos levados a pensar que o progresso técnico, a ciência e tecnologia são as únicas fontes de inovação e prosperidade. Essa, às vezes, parece ser uma premissa tacitamente aceita entre transhumanistas. Embora não seja falsa, me parece incompleta. 

Verdade é que muitos pensadores da área consideram tecnologia em um sentido muito amplo, que acaba abarcando o que quero me referir: as instituições sociais. Não só são elas uma forma de tecnologia social/cultural, como um grande fator para todas as outras inovações técnicas. Se me perguntassem qual a inovação, a curto e médio prazo, tem o maior potencial de "turbinar" outras inovações tecnológicas, eu seria tentado a dizer: as inovações defendidas pelo Seasteading Institute.

O século XXI é, em boa parte, o resultado de alguns experimentos institucionais do passado, particularmente, de certas inovações produzidas pela Revolução Americana, como a reinvenção e reintrodução da república e democracia na idade moderna, a tripartição de poderes, a invenção de uma constituição (dos EUA, de 1987) que 

"em lugar de sugerir que nos comportemos todos de maneira semelhante à dos deuses, reconhece que, pelo contrário, as pessoas são porcos e aproveitarão qualquer oportunidade que lhes aparecer para subverter qualquer pacto, visando a defender o que consideram ser seus interesses próprios. Com essa finalidade em vista, a Constituição divide o poder do Estado naqueles três ramos que são, para a maioria de nós (eu me incluo nela), a única coisa da qual nos recordamos de 12 anos de ensino fundamental e médio.
"Redigida por homens dotados de alguma experiência prática de governo, a Constituição parte da premissa de que o chefe do Executivo trabalhará para tornar-se rei, que o Parlamento vai conspirar para vender a prataria da casa e que o Judiciário vai considerar-se olímpico e fazer tudo o que puder para melhorar em muito (destruir) o trabalho dos dois outros ramos." (David Mamet
, sobre a Constituição dos EUA)

Um pequeno experimento no século XVIII que produziu uma avalanche de transformações que, até hoje, vivenciamos. Podemos, ainda, lembrar da pequena e poderosa Holanda que, por proteger a liberdade de expressão, se transformou em uma potência europeia, atraindo cientistas e filósofos de todas as partes da Europa. A ideia, agora, é criar "pequenas Holandas" muito mais radicais quanto à possibilidade de experimentação.

Patri Friedman era engenheiro de software do Google na Califórnia. Nos seus 20% de tempo livre, dedicava-se a cultivar a ideia de fazer com a política o que o Vale do Silício fez com a economia: transformar-se em um lugar em que tecnologias transformadoras brotam todos os dias. Após receber uma generosa doação de Peter Thiel, Friedman deixou o Google para dedicar-se em tempo integral a sua causa.

Patri Friedman ocupou, ainda um cargo administrativo na Humanity+, embora, por razões óbvias, seu projeto do Seasteading Institute seja desvinculado do transhumanismo. Costuma, ainda, ser geralmente apresentado como neto do Prêmio Nobel de Economia Milton Friedman. 

Abaixo, um artigo da Revista Forbes sobre ele e suas ideias. Há, ainda, uma palestra dele no Brasil com legenda em pt-br.  

* * *

Nomes Que Você Precisa Saber Em 2011 
(segundo a Revista Forbes): Patri Friedman 10 de novembro de 2010 
  

Patri Friedman está ciente de que sua idéia parece loucura. O ex-engenheiro do Google e neto do Prêmio Nobel de Economia Milton Friedman quer construir "países
start-up": moradias autônomas no meio do oceano, começando com uma nova cidade independente  na costa da Califórnia. Ele também é o primeiro a admitir que as tentativas anteriores de lançar comunidades flutuantes não se saíram tão bem. 
 
"O Freedom Ship, a República de Minerva, Oceania - todos eles comicamente falharam", disse ele. "Isso é muito diferente. Eu estava no Google antes. Meu segundo posto de comando foi no PayPal. Nós somos pessoas de negócios competentes. "

 
O Instituto Seasteading de Friedman também tem um suporte com graves iniciar peso-up: Peter Thiel, o multimilionário co-fundador do PayPal, que doou 900.000 dólares para a iniciativa até agora através de sua fundação. Thiel e o jovem bilionário da tecnologia Dustin Moskovitz, co-fundador do Facebook, estão programados para participar do evento de angariação de fundos junto Seasteading Institute, em dezembro, segundo Friedman.

 
Atrair grandes nomes para o seu empreendimento não é o único plano de Friedman para o próximo ano. Ele está refinando o design dessas comunidades flutuantes e contratou um arquiteto naval para cuidar da engenharia. Até agora, o grupo identificou uma área fora de San Diego, onde as ondas são relativamente baixas, a um custo de US$ 300 o metro quadrado, ou US$ 120 milhões para uma estrutura de 200 pessoas. A equipe de engenharia da organização, auxiliados por alunos voluntários de oceanografia, vai agora identificar os outros locais potenciais para o desenvolvimento. O objetivo é permitir que qualquer número de grupos possa mudar, não apenas Friedman e seus colegas. 
 

"Não é nossa utopia, é sobre como ativar muitas pessoas para tentar", disse ele. 
 

Friedman garante aos detratores que, enquanto ele se identifica como politicamente libertário, seu plano não é um esquema de sonegação fiscal elaborada. "Nós não estamos planejando fazer alguma coisa maluca para que os EUA nos ataquem", disse ele. "Às vezes as pessoas de esquerda pensam que se trata de gente rica tentando  renúncia fiscal, o que não se coaduna com legislação tributária dos EUA." 
 
Friedman diz que sua política contrasta com o liberalismo à moda antiga, digamos, os irmãos Koch, que já doaram milhões de dólares ao longo dos anos para minar a esquerda. "Em vez de reclamar do governo, competir com ele", disse Friedman. (...)




Tubo de ensaio de sociedades: você está certo de que conhece o modelo ideal de sociedade? Então por que não construir seu próprio país no oceano?


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