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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Presidente do Cazaquistão quer ser imortal

Presidente do Cazaquistão quer criar centro de pesquisa para atingir a imortalidade (para ele, claro).

Algo interessante sobre as crianças e os poderosos ditadores nunca contestados é a capacidade  de falar com naturalidade verdades inconvenientes, sem embaraço. O jornal britânico The Guardian, de 07 de dezembro de 2010, traz uma exemplo:

"Cleópatra pode ter banhado no leite de asnos 'para preservar sua juventude', mas Nursultan Nazarbayev, o presidente autocrático do Cazaquistão, não quer nada menos que o elixir da vida para mantê-lo no poder.

"Não satisfeito com 19 anos no comando do país rico em gás da Ásia Central, Nazarbayev exortou os cientistas de hoje a descobrirem o segredo para a imortalidade.

"O líder de 70 anos, sublinhou num discurso que um novo instituto de investigação científica na capital Astana deve estudar 'rejuvenescimento do organismo' bem como 'o genoma humano, a produção de tecidos humanos e criação de medicamentos com base em genes'.

"Dirigindo-se para estudantes, Nazarbayev acrescentou: 'Para a medicina do futuro, as pessoas da minha idade estão realmente esperando que tudo isso aconteça o mais rapidamente possível.'"


É um pouco improvável, senhor Nazarbayev, tanto que o senhor venha alcançar estas tecnologias como que seu instituto no obscuro Cazaquistão possa realizar esta façanha científica. Quer aumentar suas chances? Seria melhor contratar um plano da Alcor e fazer uma doação para o SENS (depois, é claro, de devolver o poder e as riquezas de seu país aos seus cidadãos). 

A perpetuação no poder de ditadores é um dos argumentos utilizados contra a tecnologia anti-envelhecimento. Esse, realmente, será um efeito colateral ruim mas acho difícil sustentar que, por conta de algumas dezenas de pervertidos bilhões de pessoas devam padecer. A solução terá que vir de outro lugar (a exemplo da Tunísia e Egito).

Mas o interessante na declaração de Nazarbeyev é, talvez, uma incipiente fratura nas crenças racionalizadoras sobre inevitabilidade do envelhecimento aquelas que nossa psiquê, durante seu desenvolvimento, é levada a tecer, para nos afastar da incerteza e ansiedade envolvendo o assunto e para que possamos ser bons cidadãos que reproduzem a base material e genética da sociedade. Porém, quando os sinais da plausibilidade científica do rejuvenescimento ficarem mais evidentes (indícios como este), a atual pequena fresta se abrirá com a discrição de uma barragem hidrelétrica que se rompe. E, pouco depois, como disse Michael Rose, as pessoas com 300 anos em plena saúde dirão:  "Meu Deus, como é que aqueles bárbaros aceitavam viver apenas 75 anos!"

"Um dia, quando as pessoas estiverem vivendo 300 anos e com plena saúde, comentarão: 'Meu Deus, como é que aqueles bárbaros aceitavam viver apenas 75 anos!'"

3 comentários:

  1. Um aspecto interessante que surge quando estas pesquisas dão sinais de avanço é a dúvida: a quem se destina estas pesquisas? Inicialmente à uma pequena parcela, como todas as pesquisas médicas. Penso que o incentivo e as doações devem iniciar com as pessoas das classes mais abastadas, pois os primeiros tratamentos serão destinados a elas, e posteriormente irá atingir o resto das pessoas.

    No caso específico do presidente do Cazaquistão temo que estes primeiros tratamentos não atinjam-no, pois se as projeções estão corretas, somente após 15-20 anos do primeiro rato rejuvenescido é que se poderá fazer o mesmo em humanos, com alguma segurança. O correto como o texto colocou, é a criogenia, que infelizmente irá tirá-lo do poder, pena.

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  2. É, Bruno, você coloca uma questão que certamente será levantada: os aspectos políticos envolvendo o controle do envelhecimento.
    O argumento (ao menos provisório) que vejo pessoas como Kurzweil defendendo é o seguinte: no início, tais tecnologias serão caras (só para os ricos), mas pouco eficientes (e trarão riscos, serão experimentais). Quando realmente ficarem boas, ficaram baratas e acessíveis a todos.
    O exemplo que se costuma invocar: uma pessoa hoje, na periferia (favela) de qualquer grande cidade do mundo possui um telefone celular que é milhares de vezes melhor (pelo menos nos aspectos computacionais e tecnológicos) que o aparelho que o presidente dos EUA poderia dispor há algumas décadas. Cirurgias plásticas e aparelhos ortodônticos, hoje, são acessíveis à classe média (talvez até a classe média baixa), mas até pouco tempo custavam uma pequena fortuna.
    Mas é preciso questionar se realmente é possível uma extrapolação desses produtos e serviços(da TI para a medicina) e até que ponto isso é possível. Se um IBM Watson for usado no diagnóstico médico ("empurrando" os médicos para a cirurgia, massificando e barateando esse serviço tão caro -- algo que já vem sendo ensaiado na Índia) ou surgir um Watson cirurgião, certamente seria possível. Mas e se nada semelhante a isso acontecer?
    Uma coisa é certa, com informação livre e abundante, ou haverá uma manipulação muito sofisticada das massas ou uma enorme pressão política para a massificação dessas tecnologias. É o que penso.

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  3. Penso que irá ocorrer algo como a última das alternativas que enumeraste, seguindo o processo tradicional de expansão de um serviço ou produto. Inicialmente pesquisa, após isto consolidação dos resultados e em seguida produção em larga escala.

    É até um contra-senso estarem sendo feitas pesquisas médicas tentando obter a fonte da juventude, sem um interesse econômico. A exemplo da Alcor, o número de pessoas interessadas nestes resultados não é pequena, suponho.

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