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sábado, 20 de agosto de 2011

Excelente entrevista de Nick Bostrom na Revista Filosofia

Nick Bostrom (para os desavisados: fundador da Humanity+, antes chamada Associação Transhumanista Mundial, e professor de filosofia da Universidade de Oxford, uma das melhores do mundo) concedeu uma entrevista à brasileira Revista Filosofia. É uma entrevista muito boa que vale a pena ler e divulgar, especialmente para aqueles intelectualmente mais exigentes. Quem quiser a ler por inteiro:

Abaixo, trechos relacionados com assuntos frequentes neste blog, destaquei algumas das frases que achei mais interessante.

Entrevista
Homem imortal ou fim da espécie?
Inteligência Artificial, criogenia e cura para o envelhecimento são avanços que podem garantir maior potencial e sobrevida ao homem. Mas desenvolvimentos tecnológicos nesta linha também podem trazer grandes riscos existenciais capazes de exterminar nossa espécie

O filósofo sueco Nick Bostrom, 37 anos, possui uma vasta formação acadêmica: Filosofia, Matemática, Economia e Ciências da Computação são algumas das áreas em que ele tem graduação ou pós-graduação. Desde os 33 anos é diretor do Instituto para o Futuro da Humanidade, uma entidade acadêmica situada em Oxford, na Inglaterra, destinada a pensar as grandes questões e possíveis encaminhamentos do progresso da humanidade, o que inclui temas como a criogenia, a criação de Inteligência Artificial e também os riscos que novas tecnologias podem provocar à espécie humana. Já arrecadou mais de 13 milhões de dólares em verba por meio de bolsas para pesquisa, prêmios e doações. O Instituto para o Futuro da Humanidade reúne diversos pesquisadores de destaque em suas respectivas áreas que decidiram pensar questões mais globais do progresso humano. Dentre eles, tem-se: Anders Sandberg, neurocientista computacional; Robin Hanson, economista; e Rebecca Roache, filósofa. (...)

Bostrom realizou múltiplas contribuições em questões fundamentais para o transhumanismo, movimento intelectual que prega um uso racional da tecnologia para modificar fundamentalmente a condição humana. Seus artigos publicados incluem temas como riscos existenciais - riscos com potencial de destruir toda a raça humana; drogas da inteligência - heurística de como realizar, de maneira segura, alterações tecnológicas na cognição humana; e ética infinitária - como agir eticamente num universo infinito em que qualquer ação finita não altera a soma total infinita do bem no mundo. Mais informações podem ser encontradas em seu website pessoal (www.nickbostrom.com).



FILOSOFIA  Quais são seus pensamentos sobre criopreservação?
Nick Bostrom: Penso que criogenia é uma opção racional para uma pessoa que pode facilmente arcar com os custos e que valoriza a sua própria sobrevivência.

A lógica básica é simples. Em temperaturas tão baixas quanto a do nitrogênio líquido, os processos bioquímicos basicamente param. Isso significa que não existe nenhuma degradação subsequente do corpo ou do cérebro uma vez que ele tenha sido congelado ou vitrificado. Ainda que com os protocolos atuais uma grande quantidade de dano seja feita no processo de preservação, é perfeitamente plausível que a informação contida no cérebro não é verdadeiramente apagada, apenas embaralhada - da mesma maneira como não se apaga realmente a informação de um documento impresso ao cortá-lo em pedaços: com paciência, os pedaços podem ser unidos novamente para revelar o texto original.

Temos então uma situação na qual a informação provavelmente ainda esta lá, mas de uma forma embaralhada e inviável. Alguma tecnologia avançada do futuro, tal como a Nanotecnologia ou a emulação completa cerebral, seria necessária para reparar o dano ocorrido no processo de resfriamento bem como para reverter a causa original da morte (ou 'desanimação', em linguajar criogênico). Parece negligente apostar a sua própria vida na convicção de que essas tecnologias nunca serão desenvolvidas. Consequentemente, um tratamento conservador apropriado para cadáveres seria preservá-los em temperaturas de nitrogênio líquido na esperança de que, em algum ponto no futuro, a tecnologia médica irá avançar o su ciente para que a reanimação se torne factível.

Não existe garantia de que isso irá funcionar, mas as chances são certamente melhores do que enterrar ou cremar o corpo, o que apaga permanentemente toda a informação do seu cérebro. A criogenia é geralmente paga por um seguro de vida. O custo anual depende da idade da pessoa quando ela se inscreve. Para uma pessoa jovem, deve ser algo em torno de 500 dólares por ano, o equivalente a um ou dois pares de sapatos de grife.

(...)

FILOSOFIA -  E sobre a "dieta imortal" de Ray Kurzweil e Terry Grossman [Os autores apresentam, no livro A Medicina da Imortalidade, um programa que retardaria o envelhecimento e preveniria numerosas doenças, aumentando a longevidade e a qualidade de vida das pessoas para que elas estejam com boa saúde e energia quando novas tecnologias de prolongamento da existência estiverem disponíveis? 
Nick Bostrom: Eu sou cético a respeito. Mas suponho ser algo bom. As pessoas estão tentando abordagens diferentes - talvez alguém vá tropeçar em algo que funcione.


FILOSOFIA -  As maiores promessas de nosso tempo vêm de entusiastas da Inteligência Artificial e de entusiastas do antienvelhecimento. Esses são os avanços nos quais você apostaria o seu dinheiro como as principais fontes de mudanças ou existe algum campo negligenciado de pesquisa para o qual devemos voltar nossos olhos? 
Nick Bostrom  Não penso que Inteligência Artificial ou curas para o envelhecimento são eminentes, mas em longo prazo, sim, esses são certamente os campos para manter nossos olhos. Eu gostaria de ver progresso em antienvelhecimento o mais cedo possível. Inteligência Artificial é muito mais problemático porque envolve um grande risco existencial. Uma inteligência artificial no nível humano iria muito provavelmente rapidamente ser seguida por superinteligência. É de crítica importância que descubramos como fazer uma Inteligência Artificial amistosa e segura antes de descobrir como se fazer uma Inteligência Artificial.

(...)

FILOSOFIA -  Vindo de um país rico, você escolheu uma vida de trabalho árduo promovendo a inteligência e a felicidade das pessoas futuras. Já se arrependeu dessa decisão, invejando aqueles que tiveram uma juventude selvagem e emocionalmente intensa?
Nick Bostrom  Pode ter faltado algumas coisas em minha juventude, mas não faltou intensidade emocional. Nunca me arrependi do caminho que segui. Fora a esperança de que ele possa produzir algum grande e significativo beneficio, ele também tem muitas satisfações diretas e pessoais. É muito divertido e muito estimulante intelectualmente. Imagino que não  ficaria feliz pensando que tive a oportunidade de fazer algo significativo e falhei em sequer tentar.


Nick Bostrom no TED


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