quinta-feira, 30 de junho de 2011

"Imortalidade física", Aubrey de Grey, Alcor etc. em documentário do History Channel



Excelente documentário do "History Channel" sobre o envelhecimento e "a vida eterna", com a participação, dentre outros, de Aubrey de Grey e um relato histórico da criação da Alcor (um detalhe: transhumanistas preferem falar em "amortalidade" ou "viver indefinidamente" a "imortalidade" ou "vida eterna"). O documentário está completo no youtube, em 03 partes (é só assistir a primeira que se chega às outras). É o episódio 02 da série "Isto é impossível" (que retrata coisas aparentemente impossíveis). Excelente dica do blog http://transhumanismopt.blogspot.com/p/contactos.html .


Confira, ainda, a palestra de Aubrey no TED

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Trailer Transcendent Man legendado português pt br

 (Este acima com a legenda oculta)

 (Este com a legenda embutida)

Para quem quer divulgar as ideias relacionadas a este blog, uma boa estratégia é divulgar o trailer de "Transcendent Man", agora legendado (o trailer está legendado, o filme já estava). Um trailer é conscientemente produzido para gerar suspense, impacto e curiosidade de ver o filme. Mais informações sobre o filme aqui:
http://fabulosofuturo.blogspot.com/2011/05/finalmente-transcendent-man-legendado.html

Outra forma de ajudar a divulgar as ideias do blog é apertando o botão "+1" do Google:

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ray Kurzweil e Aubrey de Grey na capa da Veja desta semana


"Precisamos de tempo para sonhar, tempo para recordar, e tempo para atingir o infinito. Tempo para ser." -- Gladys Taber


Ray Kurzweil e Aubrey de Grey ganharam a capa da Revista Veja (a maior, não necessariamente a melhor, do Brasil) esta semana. A matéria está razoavelmente boa. Intrigante, no entanto, é o fato de o destaque maior (na capa) ter sido dado ao Timothy Ferriss, "o homem-laboratório", um excêntrico escritor de auto-ajuda, colocado na mesma estatura do Aubrey (que desenvolve um projeto científico sério sobre o assunto). Isso provavelmente se explica pelo fato da revista Veja geralmente privilegiar a massa muscular à massa cinzenta. 

O "homem-laboratório" já deu uma palestra no TED e, nos comentários, há críticas bem fundamentadas sobre ele e seu trabalho. Ele possivelmente até tem algumas ideias boas, mas eu rejeito o estilo dele (e me decepciono com o fato de ele, ao que parece,  dar aulas na SingularityU, reforçando a imagem da instituição de "Disneylândia dos cientistas ricos") por me parecer  um estilo mistificador, algo que fica próximo de uma mistura de intelectual francês com mágico de shopping center. Acho que não é disso que o mundo precisa. Precisa de simplicidade honesta, esclarecimento  imparcial e inteligência -- um novo iluminismo do homem comum, um iluminismo de bilhões (e não de centenas) de pessoas, como o anterior.
A postura da matéria da Veja foi inegavelmente favorável às ideias transhumanistas (a crença no progresso tecnológico é um componente do conservadorismo -- neste caso, pra mim, um componente  que por acaso é verdadeiro).  Mas o ponto fraco é que, a Revista, para parecer ao leitor ter uma postura crítica e inteligente, se deteve em aspectos histriônicos e banais do assunto, como "a esposa de Aubrey tem os dentes estragados de tanto fumar" ou "é anti-ético Kurzweil vender suplementos para longevidade" (não vejo nada de anti-ético, desde que isso seja feito publicamente, como é; eis o ranço do caldo cultural católico romano contra o lucro até mesmo em uma revista fundada por um empresário judeu!). Se o assunto é longevidade radical e rejuvenescimento (algo que todo  mundo quer), a indagação que viria à mente de uma pessoa inteligente seria: quais são os empreendimentos  científicos sérios que estão sendo financiados nesse sentido? 

Os jornalistas da Veja poderiam ter se dado ao trabalho de investigar mais a fundo a resposta a esta questão, e poderiam encontrar projetos como os dos irmãos Andreggs (Halcylon Molecular) ou de Laura Deming, ambos patrocinados pelo "Don" do Vale do Silício, Peter Thiel (que também investiu no SENS de Aubrey, conforme a revista informou). Ou ter explicado a controvérsia envolvendo Aubrey de Grey e a Technology Review.

De qualquer modo, foi uma grande divulgação dessas ideias, a Veja seguramente deve ter alguns milhões de leitores no Brasil. A mesma edição da revista trouxe uma excelente reportagem sobre a Khan Academy (esta, realmente, muito boa). Mas, seja na matéria sobre a Khan Academy, seja na matéria especial sobre os transhumanistas, a Revista Veja deixou de mencionar um detalhe (um elefante na sala) com o qual ela nem de longe parece se importar tanto quanto os decotes e as pernas de louça das moças bonitas: a desigualdade no Brasil.




Aubrey de Grey no TED: "Envelhecer é um horror, porém inevitável, então temos que encontrar um jeito de não pensar no assunto, e é racional que façamos tudo o que quisermos para isso. Como, por exemplo, inventar desculpas ridículas de que envelhecer é uma coisa boa no fim das contas" ou tentar ridicularizar a própria discussão envolvendo o envelhecimento, eu diria...

sábado, 4 de junho de 2011

Khan Academy e a desigualdade da educação no Brasil


***Veja abaixo: atualizado em 13/02/2012 com notícia dos vídeos dublados em português pela Fundação Lemann***
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Acabei de assistir ao Colbert Report sobre Salman Khan (em inglês). Simplesmente fantástico! Faz tempo que queria escrever sobre o Khan aqui.

Para quem não conhece, a Khan Academy tem a ver com isto: disponibilizar a melhor educação possível (melhor, por exemplo, que a de escolas tradicionais ou os caríssimos cursinhos preparatórios para o vestibular) para todos, em qualquer lugar do mundo, gratuitamente: sejam os filhos do Bill Gates (sim, Bill Gates disse que usa a Khan Academy com seus filhos), seja um aluno pobre (com acesso à internet) na periferia de São Paulo ou no interior do Piauí.

Salman Khan é um jovem adulto americano descendente de indianos. Formou-se em engenharia e ciência da computação pelo MIT e tem um MBA por Harvard. Trabalhava como analista de fundo de investimentos, emprego que largou para dedicar-se inteiramente à Khan Academy (na palestra abaixo ele explica como surgiu a Khan Academy: ajudando suas sobrinhas no dever de casa). Seu projeto foi contemplado com doações milionárias do Google e da fundação de Bill Gates, bem como de várias outras pessoas pelo mundo afora.

Alguém consegue imaginar o impacto que algo como a Khan Academy pode ter em países desiguais como o Brasil, onde o acesso a universidade pública é socialmente restringido pela péssima qualidade do ensino público (uma máquina de destruir talentos) de um lado e a indústria, para muitos inacessível, de cursinhos de outro? Eis o maravilhoso modelo de civilização que conseguimos criar nos trópicos: a péssima qualidade do ensino público -- que destrói o futuro e as oportunidades de ascensão social de dezenas de milhões de crianças -- abre um dos mais rentáveis nichos econômicos no Brasil, a indústria dos cursinhos.

Já li alguns analistas dizendo que a Khan Academy é o começo de algo muito grande, podendo se tornar uma das mais influentes instituições de ensino de todo mundo no futuro, algo como o MIT do século XXI. E acho que estão fundamentalmente corretos.  Eu mesmo sou um aluno da Khan Academy, acho o "mapa do conhecimento" (em forma de galáxia) deles fantástico e dedico algumas horas por semana ao estudo de matemática (quero completar integralmente o curso de matemática da Khan Academy). O software deles, ao que parece fornecido com algum suporte do Google, é outro instrumento impressionante, no geral, o estudo fica parecendo um jogo (outra grande tendência dessa década: os jogos úteis). Os exercícios são ritmados e há revisões periódicas e automáticas para se certificar de que você não está deixando as coisas para trás.

Até pouco tempo não havia legendas ou dublagem em português para os vídeos do Khan (a não ser aquela poética tradução experimental do Youtube. Mas já começaram as legendas em português na Khan Academy e, mais recentemente, um programa de dublagem (veja abaixo) das aulas para o português.
A minha opinião é de que Khan, a despeito de toda sabedoria convencional, está demonstrando que "vídeos com palestras-aula e exercícios online são educação". Milhões de pessoas estão experimentando exatamente isso. Isso elimina os outros fatores importantes para a educação, como pais ou amigos? Claro que não. Mas a "tecnologia Khan Academy" pode se tornar um fator principal de modo a compensar até certo ponto a carência de outros (como dar família ou pais interessados para quem não tem?). Você pode não ter amigos motivados na educação, mas pode conhecer vários pelo próprio ambiente do youtube ou outros que venham a ser criados (o OCW-MIT criou um). Eu diria ainda mais: vários desses fatores são opcionais. A história está cheia de exemplos de autodidatas que foram capazes de realizações significativas mesmo ausentes -- ou a despeito de -- vários desses fatores (pais ou amigos estudiosos etc.). E agora os autodidatas têm mais uma grande ferramenta: a Khan Academy.

Mas para que a sociedade faça a transição para novos modelos de educação, será preciso experimentar e aperfeiçoar o modelo e, talvez o principal, vencer resistências. E a resistência vem de quem mais poderia ganhar com novos modelos: os professores. Se alguém me perguntasse sobre uma característica de nossas instituições de ensino no Brasil, eu apontaria: são instituições burocráticas que gravitam em torno de interesses corporativos (mal representados, é claro). A despeito de todo pernosticismo e teorias que envolve a educação no Brasil, a última coisa a se preocupar é com os alunos ou melhor, o que se passa na cabeça deles: aquisição e produção de conhecimento. Crie um projeto vago e imensurável, empregue alguns termos abstratos e incomuns como "agentes multiplicadores" e, “voilà”, você tem um projeto promissor!

E, se você fala em medir resultados, está atentando contra os professores! Na universidade brasileira a coisa fica pior. Porque aí não há só os interesses corporativos dos professores, há também os interesses dos servidores, técnicos administrativos etc. Já ouvi dizer que houve caso em universidade no Brasil em que o voto de servidor (no conjunto) valia mais que o dos professores. Vence as eleições quem distribui mais churrasco e cerveja. Definitivamente, não é por acaso que não somos uma potência tecnológica.
 
Pois bem, vejo que em relação à Khan Academy há um certo receio dos professores de serem diminuídos ou suplantados pela automação, pela descoberta de uma fórmula capaz de fazer de maneira melhor, tremendamente econômica e "em massa" o que se fazia individualmente (os médicos também vão ter que enfrentar esta questão com o Ibm Watson: ele venceu um grupo de médicos recentemente em uma disputa envolvendo diagnóstico). Esta é uma visão muito equivocada e estreita. É olhar para o risco, mas não para as novas oportunidades. A Khan Academy não dispensa os professores; pelo contrário, os qualifica: o professor, agora, pode, além de repetidor de explicações, um analista, um "coacher" de jovens cérebros. É algo mais qualificado, mais criativo, menos repetitivo e desgastante e ele provavelmente seria melhor pago por isso. Infelizmente, as pessoas não costumam estar abertas a novas ideias e oportunidades. É como a história do macaco com a mão na cumbuca: ele morre na armadilha mas não abre a mão.

Politicamente, tendo a me identificar alguns ideais libertários e alguns ideias de esquerda, sempre aberto a outras contribuições, sem a militância irritante dos defensores mais radicais de ideologias que querem distorcer o mundo a qualquer custo para enquadrá-lo em suas visões (Tenho dúvidas, por exemplo, quando leio na revista Veja coisas como "A China virou a segunda potência do mundo porque seguiu a cartilha liberal que defendemos..." e que os EUA, que sempre fazem "tudo certo", "estão próximos de garantir o acesso à educação superior a quase todos seus jovens"; será mesmo? E o débito universitário?). Quando se verifica que o mal funcionamento de uma sociedade (como a má qualidade da educação pública no Brasil) se torna uma indústria lucrativa, acho que todos podemos concordar, independentemente de filiação ideológica, que temos um grande problema. A desigualdade na educação é o maior atentado que uma sociedade pode cometer contra a liberdade: é você matar não só a liberdade, mas até a mera possibilidade da liberdade no seu berço. E esse nível de desigualdade não é o mesmo na Dinamarca, na Califórnia ou na Índia e no Brasil. Criar um mecanismo (como a Khan Academy) para oferecer as melhores ferramentas de educação e colaboração independentemente de onde a pessoa esteja (isto é, se ela der a sorte de não estar em lugares com a internet bloqueada como a Coreia do Norte ou Cuba) é, para mim, um grande, um enorme avanço da civilização.

Quem quiser entender melhor a Khan Academy, vale a pena conferir e divulgar a palestra do TED abaixo.

 



***ATUALIZAÇÃO***
(13/02/2012)
Além das legendas embutidas nos vídeos da Khan Academy, A Fundação Lemann (www.fundacaolemann.org.br/khanportugues), em parceria com o Instituto Península e o Instituto Natura (mais uma iniciativa arrojada do empresário Guilherme Leal) começou a dublar os vídeos da Khan Academy, com dublagem profissional. E a boa notícia fica ainda melhor: assim como na Califórnia e em outros lugares dos EUA, o projeto da Fundação Lemann e seus parceiros pretende levar a Khan Academy para dentro das escolas, em um experimento para tentar aprimorar a educação (mais informações: http://www.fundacaolemann.org.br/khanportugues/nas-escolas.php). Parabéns à Fundação Lemann, ao Instituto Natura e ao Instituto Península pela iniciativa: isso é filantropia de grande alavancagem!

Lembre-se: além os vídeos, a Khan Academy abrange exercícios (com revisões agendadas) e estatísticas detalhadas sobre o aprendizado (veja o vídeo de Salman Khan no TED para entender melhor isso: http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/salman_khan_let_s_use_video_to_reinvent_education.html).

Quando vejo esses vídeos da Khan Academy (veja a lista completa:
www.fundacaolemann.org.br/khanportugues), lembro desta frase de Miguel Nicolelis: "Ciência é o melhor emprego que existe, pagam você para ser moleque, experimentar, se divertir."


Primeira Lei de Newton:


Números primos:
 

Introdução à seleção natural:

Post revisado em 29/03/2012

Dr. Michio Kaku: nos tornaremos os deuses que uma vez tememos

"Como Zeus, teremos controle mental de objetos a nossa volta. Como Vênus, teremos corpos perfeitos que não envelhecem." -- Dr. Kaku

Minha tradução (não profissional) do vídeo de Michio Kaku no Big Tink (). Cada vez mais Dr. Kaku parece se aproximar do ideário transhumanista, o que é extremamente positivo, já que Kaku é um dos maiores divulgadores da ciência de todos os tempos e já deve ter inspirado milhões de pessoas a escolherem as carreiras científicas.

DR. MICHIO KAKU:
"Em algum ponto no futuro, teremos robôs tão inteligentes como nós. Por que não aprimorar a nós mesmos?

"Fundamentalmente, somos os mesmos homens e mulheres da caverna de cem mil anos atrás que surgiram na África. Exceto pela sabedoria e aparelhos de hoje, nossa personalidade básica é a mesma. As pessoas querem parecer aceitáveis aos seus pares e às pessoas do sexo oposto.  Assim, viver em um mundo pós-humano não será muito diferente do que viver no mundo de hoje, exceto pelo fato de que nós teremos corpos perfeitos, nós não envelheceremos. Nós nos tornaremos os deuses que uma vez tivemos medos [desde os primordios da civilização os seres humanos temem de alguma forma os deuses].

A atriz Uma Thurman interpretando Vênus em " As Aventuras do Barão de Münchhausen".
 
"Como Zeus, teremos controle mental de objetos a nossa volta. Como Vênus, teremos corpos perfeitos que não envelhecem. Como Apolo, teremos carruagens que nos farão voar sem esforço para o céu sem energia do outro lado. E como Pégasus, teremos animais que nunca andaram na superfície da terra ou só existiram há dezenas de milhares de anos. Em outras palavras: se nós hoje encontrássemos nossos avós de 1900 e eles vissem nossos foguetes, GPS, IPADs, eles nos considerariam magos, bruxos, da mesma maneira que nós perceberíamos hoje as pessoas de 2100: nós os veríamos como os deuses da mitologia."




domingo, 29 de maio de 2011

O que é singularidade? (tecnológica)

Explicação rápida e sem enrolação do conceito de singularidade tecnológica em TRANSCENDENT MAN:

 
* * *
 
Voltando para este livro, "Singularity is Near", o que Singularidade significa?
Quando diz que a Singularidade está se aproximando, o que isso significa exatamente?
E é isso que quer dizer com o termo Singularidade?
O que é a Singunlaridade?

RAY KURZWEIL: "Singularidade é um período futuro em que as mudanças tecnológicas serão tão rápidas e os seus efeitos tão profundos que todos os aspectos da vida humana serão, irreversivelmente, transformados. Não haverá uma clara distinção entre humanos e máquinas.

Os computadores não serão esses aparelhos retangulares que colocamos no bolso. Eles estarão dentro dos nossos corpos e cérebros. E seremos um híbrido de inteligência biológica e artificial.

Se voltarem 500 anos atrás, pouca coisa acontecia em um século. Agora muita coisa acontesse em apenas 6 meses. A tecnologia alimenta-se a si própria e torna-se cada vez mais rápida e daqui a 40 anos o ritmo da mudança será tão assombrosamente acelerado que não seremos capazes de acompanhá-lo, a menos que aumentemos a nossa própria inteligência, fundindo-nos com a tecnologia inteligente que estamos criando. Será uma profunda transformação. Nós pegamos emprestada esta metáfora da física e a chamamos de Singularidade."

Pensando em morrer - o sonho sobre a morte de Ray Kurzweil



A comovente e provocativa reflexão de Kurzweil sobre a morte, no filme Transcendent Man:

"Eu tenho um sonho recorrente, tem a ver com explorar uma infindável sucessão de salas vazias que me levavam de uma para a próxima, sentindo-me abandonado e sem esperança, só e incapaz de
encontrar alguém mais.

"Esta é uma bela descrição da morte. Supõem-se que a morte tenha uma finalidade. Mas, na verdade, é uma grande perda para todos aqueles que se preocupam com ela. 
Às vezes tenho fantasias sobre morrer.

"Sobre o que as pessoas sentem quando estão morrendo. Ou como eu me sentiria no momento de minha morte. É de tal forma profundo e triste, o sentimento de solidão, que eu realmente não o suporto.

"Então voltei atrás e comecei a pensar em como não morrerei." -- Raymond Kurzweil

O avanço imparável do trans-humanismo

Matéria bastante informativa da Revista Superinteressante de Portugal:

***

E depois de nós?

O avanço imparável do trans-humanismo


Os progressos tecnológicos e científicos vão permitir-nos intervir no corpo para eliminar deficiências congénitas e potenciar capacidades. A humanidade ultrapassa-se a si mesma.

Mais de sessenta cientistas, peritos e “tecno-intelectuais” foram convocados pela Universidade de Harvard (Estados Unidos), no Verão passado, para debater um tema tão transcendental como a capacidade humana para alterar a sua própria evolução. Os presentes expuseram as suas previsões sobre o futuro da ciência e da tecnologia, assim como sobre o impacto destas no fenómeno da trans-humanização. O prolongamento da vida humana, o domínio dos circuitos do cérebro, a robótica, a nanotecnologia, a inteligência artificial e as técnicas para aperfeiçoar a espécie humana foram apenas algumas das ideias que se discutiram na reunião, promovida pela Humanity+, uma ONG conhecida até há pouco tempo sob o nome de World Transhumanist Association.

Para ler tudo: http://goo.gl/W3qjr


Patri Friedman: como construir seu próprio país?

Às vezes somos levados a pensar que o progresso técnico, a ciência e tecnologia são as únicas fontes de inovação e prosperidade. Essa, às vezes, parece ser uma premissa tacitamente aceita entre transhumanistas. Embora não seja falsa, me parece incompleta. 

Verdade é que muitos pensadores da área consideram tecnologia em um sentido muito amplo, que acaba abarcando o que quero me referir: as instituições sociais. Não só são elas uma forma de tecnologia social/cultural, como um grande fator para todas as outras inovações técnicas. Se me perguntassem qual a inovação, a curto e médio prazo, tem o maior potencial de "turbinar" outras inovações tecnológicas, eu seria tentado a dizer: as inovações defendidas pelo Seasteading Institute.

O século XXI é, em boa parte, o resultado de alguns experimentos institucionais do passado, particularmente, de certas inovações produzidas pela Revolução Americana, como a reinvenção e reintrodução da república e democracia na idade moderna, a tripartição de poderes, a invenção de uma constituição (dos EUA, de 1987) que 

"em lugar de sugerir que nos comportemos todos de maneira semelhante à dos deuses, reconhece que, pelo contrário, as pessoas são porcos e aproveitarão qualquer oportunidade que lhes aparecer para subverter qualquer pacto, visando a defender o que consideram ser seus interesses próprios. Com essa finalidade em vista, a Constituição divide o poder do Estado naqueles três ramos que são, para a maioria de nós (eu me incluo nela), a única coisa da qual nos recordamos de 12 anos de ensino fundamental e médio.
"Redigida por homens dotados de alguma experiência prática de governo, a Constituição parte da premissa de que o chefe do Executivo trabalhará para tornar-se rei, que o Parlamento vai conspirar para vender a prataria da casa e que o Judiciário vai considerar-se olímpico e fazer tudo o que puder para melhorar em muito (destruir) o trabalho dos dois outros ramos." (David Mamet
, sobre a Constituição dos EUA)

Um pequeno experimento no século XVIII que produziu uma avalanche de transformações que, até hoje, vivenciamos. Podemos, ainda, lembrar da pequena e poderosa Holanda que, por proteger a liberdade de expressão, se transformou em uma potência europeia, atraindo cientistas e filósofos de todas as partes da Europa. A ideia, agora, é criar "pequenas Holandas" muito mais radicais quanto à possibilidade de experimentação.

Patri Friedman era engenheiro de software do Google na Califórnia. Nos seus 20% de tempo livre, dedicava-se a cultivar a ideia de fazer com a política o que o Vale do Silício fez com a economia: transformar-se em um lugar em que tecnologias transformadoras brotam todos os dias. Após receber uma generosa doação de Peter Thiel, Friedman deixou o Google para dedicar-se em tempo integral a sua causa.

Patri Friedman ocupou, ainda um cargo administrativo na Humanity+, embora, por razões óbvias, seu projeto do Seasteading Institute seja desvinculado do transhumanismo. Costuma, ainda, ser geralmente apresentado como neto do Prêmio Nobel de Economia Milton Friedman. 

Abaixo, um artigo da Revista Forbes sobre ele e suas ideias. Há, ainda, uma palestra dele no Brasil com legenda em pt-br.  

* * *

Nomes Que Você Precisa Saber Em 2011 
(segundo a Revista Forbes): Patri Friedman 10 de novembro de 2010 
  

Patri Friedman está ciente de que sua idéia parece loucura. O ex-engenheiro do Google e neto do Prêmio Nobel de Economia Milton Friedman quer construir "países
start-up": moradias autônomas no meio do oceano, começando com uma nova cidade independente  na costa da Califórnia. Ele também é o primeiro a admitir que as tentativas anteriores de lançar comunidades flutuantes não se saíram tão bem. 
 
"O Freedom Ship, a República de Minerva, Oceania - todos eles comicamente falharam", disse ele. "Isso é muito diferente. Eu estava no Google antes. Meu segundo posto de comando foi no PayPal. Nós somos pessoas de negócios competentes. "

 
O Instituto Seasteading de Friedman também tem um suporte com graves iniciar peso-up: Peter Thiel, o multimilionário co-fundador do PayPal, que doou 900.000 dólares para a iniciativa até agora através de sua fundação. Thiel e o jovem bilionário da tecnologia Dustin Moskovitz, co-fundador do Facebook, estão programados para participar do evento de angariação de fundos junto Seasteading Institute, em dezembro, segundo Friedman.

 
Atrair grandes nomes para o seu empreendimento não é o único plano de Friedman para o próximo ano. Ele está refinando o design dessas comunidades flutuantes e contratou um arquiteto naval para cuidar da engenharia. Até agora, o grupo identificou uma área fora de San Diego, onde as ondas são relativamente baixas, a um custo de US$ 300 o metro quadrado, ou US$ 120 milhões para uma estrutura de 200 pessoas. A equipe de engenharia da organização, auxiliados por alunos voluntários de oceanografia, vai agora identificar os outros locais potenciais para o desenvolvimento. O objetivo é permitir que qualquer número de grupos possa mudar, não apenas Friedman e seus colegas. 
 

"Não é nossa utopia, é sobre como ativar muitas pessoas para tentar", disse ele. 
 

Friedman garante aos detratores que, enquanto ele se identifica como politicamente libertário, seu plano não é um esquema de sonegação fiscal elaborada. "Nós não estamos planejando fazer alguma coisa maluca para que os EUA nos ataquem", disse ele. "Às vezes as pessoas de esquerda pensam que se trata de gente rica tentando  renúncia fiscal, o que não se coaduna com legislação tributária dos EUA." 
 
Friedman diz que sua política contrasta com o liberalismo à moda antiga, digamos, os irmãos Koch, que já doaram milhões de dólares ao longo dos anos para minar a esquerda. "Em vez de reclamar do governo, competir com ele", disse Friedman. (...)




Tubo de ensaio de sociedades: você está certo de que conhece o modelo ideal de sociedade? Então por que não construir seu próprio país no oceano?


sábado, 21 de maio de 2011

Finalmente, "Transcendent Man" legendado


Trailer do filme (legendado em português)

Em primeiro lugar, devo admitir que não tenho orgulho do fato de o Brasil ser um campeão de downloads ilegais de músicas e filmes. Isso, para mim, de certa forma mostra o desprezo que o país tem para com a propriedade intelectual. Não é atoa que somos o país da sobremesa (açucar, café, cacau,  açaí, soja...) e não do conhecimento.

Por outro lado, os volumosos recursos direcionados à indústria de cinema e música sempre me pareceram exagerados em relação ao seu retorno para a sociedade. A propriedade intelectual no Brasil, por exemplo, parece não serviu para muita coisa além de fazer a fortuna de cantores de qualidade duvidosa -- aqueles que aparecem nos programas de audiência do domingo à tarde -- ou autores de auto-ajuda que vendem promessas exorbitantes a preços exorbitantes (compare com os preços de livros no site Amazon e tome cuidado para não cair da cadeira). Era necessário algum tipo de reequilíbrio nessas contas (como a iTunes fez) e a internet (e a pirataria) mostrou isso. 

No caso específico de "Transcendent Man" (Homem Transcendente - o filme sobre a vida e ideias de Raymond Kurzweil), acho que há algumas razões que justificam divulgar aqui no blog a legenda do filme. Houve exagerada demora do lançamento do filme e não há qualquer perspectiva de lançamento no Brasil. Eu aguardei o lançamento no iTunes para comprá-lo no início de março  e foi decepcionante perceber que o lançamento ocorreu nos EUA e Canadá, mas não no iTunes do Brasil.  Se realmente parte -- ao menos uma pequena fração -- das ideias de "Transcendent Man" for plausível e verdadeira... então a divulgação de tais ideias me parece ser -- de longe -- muito mais importante que a preservação do direito autoral nesse caso específico. 

Pois bem, feita esta ressalva, divulgo aqui o fato de que um companheiro de ideias do outro lado do Atlântico, que se identifica como Sales aqui no FF,  criou a legenda em português do filme "Transcendent Man". A legenda encontra-se aqui: http://goo.gl/fFn8q (megaupload) ou aqui: rapidshare (novos links! Versão 2.4 com POB / pt-br (e pt-pt no mesmo arquivo) atualizada  pelo autor em 15/06/2011).  No seu blog, Sales também explica como encontrar o filme em arquivo torrent a partir de uma simples busca no Google.

Trechos do filme: